Em vez de simplesmente aumentar o tamanho das baterias para entregar mais autonomia, a Ford quer extrair mais quilômetros de um conjunto menor, mais leve e mais barato. A bateria responde por cerca de 40% do custo total de um elétrico e por mais de um quarto do peso do veículo. Ou seja, reduzir esse componente muda completamente a equação financeira.
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A nova Plataforma Universal de Veículos Elétricos nasce com uma obsessão, a eficiência sistêmica. O projeto começa por uma picape elétrica de porte médio.
Para isso, a empresa criou um método interno chamado “recompensas”. Funciona assim: qualquer alteração de design é traduzida em números concretos.
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Quer um exemplo curioso? Aumentar apenas 1 milímetro na altura do teto significaria cerca de US$ 1,30 a mais no custo da bateria ou uma perda de 0,088 km de autonomia. Parece pouco… até você multiplicar isso por milhares de unidades produzidas.
Essa lógica mudou a dinâmica entre equipes que tradicionalmente puxam o projeto para lados opostos. Aerodinâmica quer carro mais baixo; conforto interno pede mais espaço. Agora todos falam a mesma linguagem, custo e eficiência.
E os resultados aparecem em detalhes que normalmente passam despercebidos. O novo espelho retrovisor externo, por exemplo, é mais de 20% menor. Isso reduz peso, melhora o fluxo de ar e adiciona cerca de 2,4 km de autonomia.
Arquitetura elétrica mais simples e leve
Imagem: Divulgação
Outro ponto onde a Ford resolveu mexer fundo foi na arquitetura energética. Em muitos elétricos, a conversão de energia e a gestão de sistemas de diferentes tensões geram perdas e complexidade. Para resolver isso, a empresa decidiu internalizar o desenvolvimento da eletrônica de potência de alta tensão.
A solução disso é um ecossistema completo de carregamento desenvolvido internamente, com software próprio e capacidade de carregamento bidirecional. Para dono do carro, o tempo de recarga serão menores, maior durabilidade da bateria e custo total de propriedade reduzido.
O chicote elétrico da nova picape será cerca de 1,2 km mais curto e 10 kg mais leve que nos primeiros elétricos da marca. E enquanto veículos tradicionais podem ter mais de 30 módulos eletrônicos de controle, o novo modelo terá apenas cinco unidades principais.
A Ford vê um paralelo com o momento vivido pela indústria nos anos 1970, quando o turbocompressor mostrou que motores menores podiam entregar mais desempenho com melhor eficiência. Décadas depois, a própria marca arriscou nisso com a tecnologia EcoBoost, inicialmente recebida com ceticismo, mas hoje dominante em sua linha de motores a gasolina.
Elétricos acessíveis

Imagem: Divulgação
A montadora acredita que essa nova família de veículos elétricos poderá competir em preço com modelos a combustão, algo que, convenhamos, é o verdadeiro divisor de águas para a adoção em massa.
Ainda há desenvolvimento pela frente, mas a ideia é reduzir complexidade, cortar peso, otimizar energia e tratar cada milímetro do carro como um investimento que precisa dar retorno.