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Quer instalar um carregador de carro el�trico no condom�nio? Saiba como fazer

Em São Paulo, uma nova lei mudou o jogo dentro dos condomínios quem tem carrro elétrico, morador ganhou o direito de instalar um ponto de recarga individual na própria vaga. Agora, o condomínio não pode mais barrar o pedido por decisão administrativa, a não ser que exista impedimento técnico real ou risco comprovado à segurança, conforme as normas e exigências do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

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Parece simples? Nem tanto. Ter o direito não significa sair comprando carregador e ligando na tomada mais próxima. A recarga doméstica é conveniente, mas exige planejamento elétrico sério e é aí que começa a conversa que vai muito além da vaga de garagem.

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O carro elétrico chegou e o prédio precisa se preparar

 Um carregador residencial típico consome cerca de 7 kW, potência, mas pode haver sobrecarga com picos de uso de energia
Imagem: Divulgação

Segundo Pedro Bittencourt, CTO da TYR Energia, instalar um carregador é quase como fazer um check-up completo do prédio.

Antes de qualquer obra, entram em cena análises do ramal de entrada, dimensionamento de cabos, disjuntores, proteções e, principalmente, estudos de carga. Em bom português, é preciso fazer uma radiografia elétrica do edifício.

E o motivo é simples. Um carregador residencial típico consome cerca de 7 kW, potência próxima à de um apartamento funcionando a pleno vapor. Um só não assusta. O problema aparece quando vários moradores conectam seus carros ao mesmo tempo.

Imagine o cenário clássico do começo da noite, gente chegando do trabalho, carro plugado, chuveiro ligado, ar-condicionado funcionando e eletrodomésticos em uso. De repente, a garagem vira uma nova “unidade consumidora” competindo com os apartamentos pelo pico de energia.

As consequências podem incluir:

  • sobrecarga de cabos e quadros elétricos
  • necessidade de reforço da infraestrutura interna
  • pressão adicional sobre a rede da distribuidora

O consumo médio não é o vilão. O “problema” é a carga simultânea concentrada em certos horários.

A boa notícia é que a tecnologia já oferece caminhos para evitar sobrecarga. O segredo está na chamada gestão inteligente de carga.

Entre as soluções mais usadas estão:

  • balanceamento automático entre carregadores
  • controle dinâmico de potência
  • recarga programada fora do horário de pico
  • projetos preparados para expansão gradual

Ou seja, não basta instalar tomadas. É preciso organizar energia.

A rede elétrica aguenta?

Carregador
Condomínios podem evitar sobrecarga e picos de demanda por meio de planejamento técnico e gestão inteligente 
Imagem: Divulgação

Se apenas 5% da frota paulistana adotasse carros elétricos carregando a 7 kW nas garagens ,algo como uma vaga eletrificada a cada 20, a rede de distribuição já sentiria um aumento de demanda, pressionando transformadores e infraestrutura local.

Por outro lado, a mudança cria um novo mercado inteiro. Eletricistas especializados, empresas de software de gestão energética, fabricantes de carregadores e integradoras passam a disputar espaço em um setor que cresce junto com a mobilidade elétrica. E há o ganho ambiental, menos emissões no dia a dia e um empurrão real para a mobilidade de baixo carbono.

Os condomínios podem evitar sobrecarga e picos de demanda por meio de planejamento técnico e gestão inteligente de carga, com estudos de demanda real, controle de potência dos carregadores, balanceamento de carga, recarga programada em horários de menor consumo e projetos elétricos preparados para expansão gradual. Sem esse tipo de gestão, a instalação desordenada pode esgotar rapidamente a capacidade da infraestrutura existente.

 Custos de adequação elétrica e manutenção

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Recarga elétrica passa a gerar novos serviços, soluções tecnológicas e modelos de negócio dentro dos condomínios
Imagem: Divulgação

Os custos de adequação elétrica e manutenção dependem do modelo adotado. Quando a ligação é individual, o custo tende a ser do morador. Quando há necessidade de reforços estruturais, como adequação da entrada de energia, cabos principais, quadros e transformadores internos, esses custos normalmente recaem sobre o condomínio, com possibilidade de rateio.  Se houver impacto na rede externa, a distribuidora também pode precisar investir em reforços, custos que acabam sendo refletidos no sistema tarifário.

No curto prazo, a medida cria oportunidades econômicas para os setores de engenharia elétrica predial, retrofit de infraestrutura, integração de sistemas de recarga, automação, monitoramento energético, medição inteligente e gestão de consumo.

A recarga elétrica passa a gerar novos serviços, soluções tecnológicas e modelos de negócio dentro dos condomínios, transformando a infraestrutura elétrica em um novo vetor de valor econômico e inovação.

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