A decisão da Celesc de intensificar a fiscalização e cortar cabos de operadoras clandestinas que utilizam irregularmente a rede de postes em Santa Catarina é, ao mesmo tempo, necessária e tardia.
Necessária porque o cenário que se consolidou ao longo dos anos tornou-se insustentável. Tardia porque o caos que hoje se vê nos postes não surgiu de um dia para o outro, é fruto de anos de fiscalização insuficiente, permissividade regulatória e expansão desordenada do setor de telecomunicações.
Basta olhar para o alto em praticamente qualquer rua para entender o problema. Emaranhados de cabos, fios abandonados, instalações improvisadas e estruturas pendentes se tornaram parte da paisagem urbana.
O que começou como solução para ampliar o acesso à internet e à TV por assinatura acabou se transformando em um retrato de desorganização que compromete a estética das cidades e, sobretudo, a segurança da população.
Casos de cabos caídos, postes sobrecarregados e fiações mal instaladas já resultaram em acidentes graves, alguns deles fatais. Nesse contexto, a iniciativa de fortalecer o Programa Limpa Fio, conduzido pelo Procon/SC em parceria com Anatel e Celesc, representa um passo importante para tentar recuperar o controle sobre uma rede que claramente saiu dos trilhos.
A fala do presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, ao afirmar que é preciso “colocar ordem” no sistema, expõe uma verdade incômoda: durante muito tempo, essa ordem simplesmente não existiu.
Operadoras clandestinas se multiplicaram explorando lacunas de fiscalização e aproveitando a dificuldade do Poder Público em identificar responsáveis por cada cabo pendurado nos postes.
Não se trata apenas de punir quem atua na ilegalidade, mas de reorganizar um setor inteiro. Afinal, mesmo empresas regularizadas frequentemente contribuem para o descontrole ao abandonar cabos antigos ou negligenciar a manutenção adequada das redes.
A infraestrutura urbana não pode continuar refém da improvisação. Colocar ordem nos postes é mais do que uma questão estética. É uma questão de segurança pública, responsabilidade empresarial e respeito ao espaço coletivo. Em um Estado que se orgulha de sua organização e qualidade de vida, os cabos soltos nos postes são um lembrete visível de que ainda há muito a ser consertado.