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Google Inaugura Centro de Engenharia no IPT, com Foco em IA e Startups

O Google inaugurou nesta quarta-feira (28) seu segundo Centro de Engenharia na América Latina, localizado no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), dentro da Cidade Universitária, em São Paulo. O espaço se soma ao Centro de Engenharia de Belo Horizonte e reforça a aposta da empresa no Brasil como polo de desenvolvimento tecnológico global.

“Hoje, inauguramos neste prédio o nosso segundo centro de desenvolvimento na América Latina. Por que o Brasil e não outros países? Porque o Brasil é um mercado de pessoas resilientes que trabalham duro e possui um nível de sofisticação muito legal”, afirmou Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, durante evento de inauguração. Para ele, o país concentra “ilhas de excelência” em diversas frentes, e a tecnologia tem o papel de acelerar esse desenvolvimento.

O novo escritório será multidisciplinar, com equipes nas áreas de inteligência artificial, engenharia de software, gestão de produtos, UX, design, cibersegurança e dados, trabalhando em conjunto com o time de BH. “O nosso objetivo é transparecer para os outros escritórios globais que a operação no Brasil é única. As equipes atuam como um só time do Brasil”, acrescentou.

O prédio, que está próximo de completar 100 anos, foi totalmente restaurado para a operação. Além do centro de engenharia, o espaço contará com uma instalação do Google Campus, com um Google Safety Engineering Center (GSEC) e um Accessibility Discovery Center (ADC).

Para Anderson Ribeiro Correia, Diretor-Presidente do IPT, a chegada do Google representa uma virada no modelo de operação do instituto. “No século XXI, o IPT abre as suas portas para que as empresas se instalem dentro do instituto, utilizando a interação contínua entre elas, os pesquisadores do IPT e todo este ecossistema de inovação. O IPT existe e persiste nesses 127 anos porque tem essa capacidade de se adequar e estar à frente do seu tempo”, disse no evento.

GSEC

O novo centro de engenharia passa a integrar a rede global de Google Safety Engineering Centers (GSEC), atualmente presentes em Munique, Málaga e Dublin. Este é o primeiro GSEC da América Latina, voltado ao combate de ameaças de segurança digital e à defesa da privacidade online.

Eduardo Tejada, Vice-Presidente Global de Privacidade e Segurança do Google, destacou que a iniciativa vai além da estrutura técnica. “O GSEC funcionará como um centro de excelência e um hub de cooperação com o ecossistema externo, servindo para dialogar e colaborar diretamente com autoridades, pesquisadores, ONGs e especialistas locais, compartilhando o que desenvolvemos para ajudar a elevar o padrão de segurança digital da sociedade.”

Para o executivo, o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário. “Estou entusiasmado em relação ao momento que estamos vivendo em cibersegurança e acredito que o Brasil terá um papel importante a desempenhar nas inovações para proteger os usuários contra ameaças utilizando a inteligência artificial”, acrescentou o executivo em coletiva de imprensa.

Também será instalado no local o primeiro Accessibility Discovery Center (ADC) da América Latina, com foco em desenvolvimento de produtos com a comunidade de pessoas com deficiência, programas de treinamento em design acessível e um espaço de experimentação para teste de novas ferramentas.

Google Campus

Instalado no mesmo prédio, o Google Campus ganha um novo momento, agora com foco em startups que integrem inteligência artificial ao seu modelo de negócio. Nos últimos nove anos, o programa acelerou 470 empresas, algumas das quais se tornaram unicórnios ou conquistaram presença global.

“Este é um hub dedicado a ser AI First”, disse Alex Freire, CISO de GPay no Brasil, em coletiva de imprensa. A nova fase inclui ainda iniciativas de inclusão, como o Black Founders Fund, criado para apoiar empreendedores de grupos minorizados.

O Campus também prevê articulação com governos locais para projetos, além de uma integração com a comunidade acadêmica da Cidade Universitária. “Nós estamos retirando as cercas e criando um espaço com um café aberto ao público, justamente para que os alunos, os professores e os pesquisadores possam vir e socializar com as nossas startups e com os nossos engenheiros”, acrescentou o executivo.

Talentos brasileiros

O novo centro deve reunir cerca de 400 engenheiros, com contratações que não exigiram experiência prévia em IA. “A contratação de profissionais não foi focada exclusivamente em pessoas que já possuíam conhecimento em IA. Nós contratamos pessoas com diferentes experiências em diversos âmbitos da tecnologia. O aprendizado ocorre aqui dentro da companhia”, explicou Freire.

O executivo também destacou iniciativas de atração de talentos, incluindo um programa de estágios que já opera há décadas em BH e foi expandido para São Paulo há três anos. Outra barreira que o Google vem contornando é a repatriação de engenheiros brasileiros que estavam no exterior. “Eu mesmo e o Eduardo estivemos fora, retornamos e consegui repatriar vários engenheiros brasileiros do Google que estavam no exterior e ficaram muito felizes com a oportunidade de poder voltar”, acrescentou durante a coletiva.

Praça Luiz André Barroso

O novo centro conta também com uma praça batizada em homenagem a Luiz André Barroso, engenheiro brasileiro e referência mundial em arquitetura de data centers, falecido há três anos.

Foi ele quem convenceu os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, a investir na empresa Aqua, em Belo Horizonte, há 21 anos, ponto de partida da presença de engenharia do Google no Brasil. A praça é decorada com fotografias feitas pelo próprio Barroso, que era também músico e fotógrafo.

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