Search
Close this search box.

Custos de credibilidade do BC não compensam possíveis ganhos decorrentes da redução da Selic

Nas últimas duas semanas, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil se reuniram para definir as taxas de juros dos respectivos países.

Nos Estados Unidos, na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve, os diretores decidiram manter a taxa básica de juros da economia americana estável entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão não foi unânime. Três dos 12 diretores divergiram da maioria e propuseram um aumento de 0,25 pontos de porcentagem da taxa de juros.

A última vez que o Fomc mostrou três diretores discordando da maioria foi em 2016, o que indica a dificuldade de avaliar o cenário mundial e decidir como conduzir a política monetária neste momento.

Copom sofreu perda de credibilidade com comunicado confuso Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após a decisão, os três diretores justificaram suas decisões com base no cenário econômico, em especial o cenário internacional devido à guerra no Oriente Médio, que atingiu um impasse de difícil solução e que tem gerado interrupções no trânsito pelo Estreito de Ormuz, reduzindo significativamente a oferta de petróleo e aumentando os preços dessa commodity.

Além da questão da guerra no Oriente, os diretores se mostraram preocupados com o fato de que a taxa de inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos – tendo deixado de convergir para a meta – e que o mercado de trabalho permanece apertado, o que pode gerar desancoragem das expectativas inflacionárias.

No Brasil, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto de porcentagem na reunião desta semana, levando a taxa de juros para 14,00% ao ano. Segundo o comunicado que se seguiu à reunião, ainda que o cenário tenha muitas das características similares às da economia americana, tais como os efeitos da guerra no Oriente Médio e o fato de que a taxa de inflação continua acima da meta no horizonte relevante, as expectativas permanecem desancoradas, em especial as de longo prazo. O mercado de trabalho permanece apertado, e a inflação de serviços se mantém próxima a 6,0% ao ano.

O fato de que os dois últimos números de taxa de inflação surpreenderam para baixo e a taxa de juros está em nível bastante elevado e contracionista, justificaria, segundo os membros do Copom, a redução da Selic nesta reunião.

Entretanto, diante desse cenário, nossa avaliação é de que os custos em termos de confiabilidade do Banco Central, depois da perda de credibilidade do comunicado confuso divulgado após a última reunião, não compensam os possíveis ganhos decorrentes da redução de 0,25 pontos de porcentagem da Selic.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *