Por muito tempo, a mineração foi associada, sobretudo, à retirada de recursos do solo. Hoje, a transformação do setor passa também pelo que acontece depois da extração. Processamento, qualidade do minério, tecnologia e logística ganharam novas perspectivas em uma indústria pressionada a combinar produtividade, competitividade e menor impacto ambiental.
É nesse movimento que a Cedro Mineração busca se posicionar. A estratégia da companhia concentra-se na produção de minério de ferro de maior qualidade, capaz de agregar valor antes mesmo de chegar à siderurgia.
Para José Carlos Martins, presidente da empresa, a mineração continua sendo uma indústria de base, mas incorporou tecnologias que atravessam diferentes setores da economia. “Todas as tecnologias discutidas em áreas como a militar e a espacial podem ser utilizadas também no dia a dia. O mineral produzido tem uso no cotidiano das pessoas”, afirma.
Minério verde
Um dos focos da Cedro é o pellet feed, minério de alto teor que pode contribuir para reduzir as emissões na produção de aço por exigir menos energia e menor uso de redutores no processo siderúrgico. A companhia vê nesse produto uma oportunidade para Minas Gerais avançar em um mercado no qual qualidade e desempenho ambiental ganharam valor.
A empresa tem projetos delineados que somam cerca de US$ 2 bilhões e busca recursos para desenvolvê-los. Entre eles está a expansão da operação de Mariana, planejada para produzir 5 milhões de toneladas de minério de alta qualidade. Segundo Martins, a produção será destinada à Vale, em um acordo que integra áreas vizinhas das duas empresas.
A atuação da companhia também procura associar a expansão das operações ao desenvolvimento das regiões onde está presente. Entre os impactos previstos nos projetos de infraestrutura, estão a geração de empregos, o estímulo a fornecedores locais e a redução do tráfego pesado de minério nas rodovias, com reflexos na segurança das comunidades.
“A grande vocação da nossa empresa é a mineração, especificamente a de ferro. Minas Gerais tem um potencial muito grande para a produção do que chamamos de minério verde, e a Cedro definiu estrategicamente se posicionar nesse mercado”, afirma Martins.
Tecnologia aplicada
A agregação de valor também passa pela forma de produzir. Martins afirma que a Cedro esteve entre as primeiras mineradoras a adotar processamento e empilhamento a seco, caminho que ajudou a direcionar a companhia para minérios de maior qualidade. A empresa também conta com investimentos em monitoramento digital, reaproveitamento de até 90% da água utilizada nas operações, eletrificação de frota e projetos-piloto de energia renovável.
Na avaliação do executivo, esses exemplos de inovação devem aumentar a produtividade, reduzir custos e diminuir o impacto ambiental do produto. “No longo prazo, a competitividade da empresa é dada pelo custo. E o produto que fazemos tem que colaborar com a redução da emissão de carbono. É um conjunto integrado. A integração é a palavra-chave”, destaca.

José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações, durante evento Minério Verde Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Rota estratégica
A logística completa essa equação. A Cedro prevê investimentos na Ferrovia Serra Azul, que deve conectar suas operações à malha ferroviária principal, e no Porto do Meio. A proposta é ampliar a capacidade de escoamento, reduzir o transporte rodoviário e buscar maior eficiência entre a mina e o mercado.
Para Martins, o Brasil reúne tradição mineral, escala territorial e reservas capazes de sustentar uma nova etapa para o setor. A disputa, porém, não depende apenas do que existe no subsolo. Em uma indústria de capital intensivo, transformar recurso mineral em produto competitivo exige tecnologia, infraestrutura e qualidade.
É nessa direção que a Cedro pretende concentrar seus próximos investimentos. “Pretendemos seguir nessa trilha, crescer dentro desse segmento de minérios que chamamos de minérios verdes, que vão colaborar para a descarbonização, e aproveitar o potencial que existe em Minas”, resume Martins.
Minas Gerais tem um potencial muito grande para a produção do que chamamos de minério verde, e a Cedro definiu estrategicamente se posicionar nesse mercado
José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações