Cresceu a probabilidade de começar já neste mês um novo ciclo de aperto monetário pelos principais bancos centrais do mundo, reféns de pressões inflacionárias causadas pela disparada dos preços de combustíveis e pela resiliência surpreendente da atividade econômica em face dos impactos da guerra no Irã.
O foco dos investidores está nos três grandes, cujas decisões afetam a curva de juros e o câmbio ao redor do mundo: Banco Central Europeu (BCE), Banco do Japão (BoJ) e Federal Reserve (Fed). Mas outros bancos centrais dos países do G-10 também enfrentam situação semelhante.

Nesta quinta-feira, 10, é a vez da decisão do BCE, presidido por Christine Lagarde (à direita); a maioria dos analistas prevê um aperto de 0,25 ponto Foto: Allison Joyce/AFP
Na semana passada, o BC da Nova Zelândia elevou a taxa básica em 0,25 ponto porcentual, para 2,75%. No Canadá, os juros foram mantidos em 2,25%, mas o presidente do BC canadense deu um duro recado: se necessário, vai agir e elevar a taxa mais de uma vez. Na Austrália, os analistas passaram a prever a quarta alta de juros neste ano, para 4,60%, na reunião marcada para o próximo dia 29.
Nesta quinta-feira, 10, é a vez do BCE. A esmagadora maioria dos analistas prevê um aperto de 0,25 ponto para 2,50%. Até há pouco tempo, o mercado considerava que o BCE iria encerrar o seu ciclo de alta de juros em setembro, mas a perspectiva de um novo choque nos preços de energia à medida que o inverno se aproxima levou muitos analistas a prever um novo aperto até o fim do ano.
Na semana passada, o preço do gás natural europeu chegou a atingir o maior nível desde janeiro de 2023, após novos ataques militares dos EUA contra o Irã. Para piorar, os estoques de gás para o inverno nos reservatórios de vários países da Europa estão muito abaixo da média dos últimos 15 anos.
Também é unânime a aposta de que o BoJ irá elevar os juros para 1,25% na próxima semana, mas há quem já está prevendo uma alta maior do que 0,25 ponto. O BC japonês sofre pressões de todos os lados: forte desvalorização recente do iene ante o dólar, o que levou a uma pesada intervenção conjunta do Japão e dos EUA, e uma política fiscal muito expansionista que vem empurrando a inflação para cima.
Mas a atenção mesmo está na decisão do Fed. Uma alta de juros não é dada como certa, mas, nos últimos dias, a probabilidade cresceu para 62% depois que a criação de empregos nos EUA veio muito acima do previsto em agosto.
Nesta sexta, sairá a inflação do mês passado. Se o núcleo da inflação, sobretudo os preços de serviços, seguir distante da meta de 2%, o Fed terá de elevar os juros para salvar sua credibilidade, apesar da pressão pública de Donald Trump por um corte da taxa.