
A Portobello mantém unidades industriais em Tijucas (SC) e Baxter, Tennessee, nos Estados Unidos (foto) Foto: Portobello Group/ Divulgação – 12/09/2023
A Portobello está renegociando sua dívida com bancos em busca de prazos mais longos e um custo menor. O objetivo é reduzir os gastos com pagamento de juros, que tem feito o balanço da companhia ir parar no vermelho. Uma capitalização por parte dos acionistas controladores também é considerada.
A Portobello tem dívida líquida de R$ 1,17 bilhão, o que representa uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) de 3,47 vezes, conforme dados do balanço mais recente. O pagamento de juros custou R$ 176,6 milhões no primeiro semestre, o equivalente a 14% da sua receita com vendas.
O cronograma de pagamentos também está apertado. A companhia tinha, em junho, R$ 213 milhões em caixa para fazer frente a vencimentos de R$ 101 milhões neste semestre. A situação é mais delicada em 2027 e 2028, com R$ 389 milhões e R$ 317 milhões em vencimentos, respectivamente.
Operacional funciona, mas despesa financeira é alta
“O lado operacional funcionou bem até aqui, mas temos um problema na estrutura de capital, com a despesa financeira bastante alta. Estamos endereçando com parceiros bancários para reperfilar essa dívida. Não é só alongar, mas tentar reduzir o custo”, afirmou o vice-presidente de finanças, Ronei Gomes. “Enquanto não resolvermos esse problema, a melhoria nas operações não vai se traduzir em lucro. O prejuízo impactará fortemente a companhia”, acrescentou durante a última teleconferência com investidores. A companhia recusou pedido de entrevista.
A Portobello teve lucro operacional (Ebit) de R$ 80 milhões no primeiro semestre, o que indica a saúde das operações. Mas quando o custo da dívida entra na conta, o resultado líquido vira um prejuízo de R$ 104 milhões.
Na tentativa de aliviar as dívidas, a Portobello vendeu em agosto as operações da marca Pointer, na região metropolitana de Maceió, para o Grupo Almeida (o valor não foi revelado). “Os recursos serão usados para reduzir dívida, melhorar capital de giro e ter mais liquidez”, disse Gomes.
A Pointer respondia por 9% do faturamento da Portobello, mas tinha margens abaixo dos demais negócios. Então, o grupo optou por manter apenas os parques industriais de Tijucas (SC) e de Baxter, no Tennessee (EUA), além do braço de lojas próprias e franquias, o Portobello Shop.
Aporte é possível
Questionado por investidores na teleconferência se os controladores estão dispostos a colocar dinheiro para equilibrar o negócio, Gomes afirmou que “todas as opções estão na mesa”. “Começamos pelos parceiros bancários na opção de reperfilamento, mas também contamos com acionistas para capitalização. No caminho, as capitalizações são realmente possíveis”, afirmou.
A indústria de pisos, azulejos e porcelanatos está sofrendo, de maneira geral, com queda nas vendas no País. As vendas totais da indústria brasileira de cerâmicos acumulam queda de 20% nos últimos quatro anos, saindo do pico de 1.032 bilhão m² em 2021 para 822 milhões m² em 2025. “As restrições no mercado nacional com juros altos e as tarifas impostas para exportação aos Estados Unidos formaram um cenário muito desafiador”, disse o presidente do conselho da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica (Anfacer), Sergio Wuaden.
A Portobello foi fundada em 1979 em Tijucas, uma cidade com menos de 60 mil habitantes. A atividade cerâmica, comum na região, foi o ponto de partida para o nascimento do grupo, que hoje comercializa revestimentos, louças e metais sanitários, exportando para dezenas de países. Listada na bolsa, ela tem 57,8% das ações concentradas nas famílias Gomes, Gutierrez, Rebello e Brennand.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 02/10/2026, às 11:42
A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.
Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.