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ICANN em Bali avalia 1,6 mil propostas de novos ‘domínios genéricos de topo’ para a internet

A reunião 87 da ICANN começou no sábado, 17, em Bali, e segue até quinta-feira, 22. ICANN, criada em 1997, é o órgão que coordena a raíz dos “nomes de domínio” e a distribuição de números IP, e um dos temas principais será a nova rodada de criação de gTLDs, “domínios genéricos de topo”, com mais de 1,6 mil candidatos.

Há, basicamente, dois tipos de domínios de topo (TLD) na internet. Os genéricos (gTLD), criados por ação da ICANN e que operam sob contrato, e os de código de país (ccTLD), cuja origem antecede a criação da própria ICANN e são definidos numa tabela de 249 siglas mantida pela ISO-3166.

A reunião 87 da ICANN segue até quinta-feira, 22, na Indonésia Foto: ICANN

Os domínios de código de país também têm relação mútua com ICANN, dado que é ela que mantém a raiz de nomes, mas eles não operam sob contrato e têm regras próprias de registro. Como exemplo, o nosso .br só aceita pedidos de registro cujos titulares tenham CPF ou CNPJ. Com isso, qualquer pendência jurídica sobre eventuais “direitos a um nome” sob o .br será resolvida internamente, no País.

Comparativamente, os gTLDs são abertos a postulantes de qualquer lugar do mundo. Assim, a ICANN define que, em caso de pendência sobre direitos ao nome, a OMPI em Genebra será o árbitro.

Números mostram que, das 1.615 propostas recebidas, 864 vieram da América do Norte e 506 da Europa, sendo apenas 11 as com origem na América Latina e Caribe… Que indicaria isso? Dado que a iniciativa de ter um gTLD envolve um modelo de negócio, parece claro que há menos interesse regional para operar nesse segmento.

Uma leitura, talvez algo vaidosa, seria associar o baixo interesse ao fato de haver boa solução local, que atende adequadamente às necessidades de preservação da identidade do usuário na internet, a um custo muito baixo e com segurança reforçada. De fato, se olharmos os 10 TLDs mais citados como fontes de insegurança, veremos que são todos gTLDs.

Acabamos de comemorar o atingimento de 6 milhões de domínios sob o .br. Estamos num ano excepcional em termos de crescimento, não obstante as possíveis ameaças que vêm da expansão de hospedagem em plataformas e da IA. Talvez o apanágio mais forte do .br, além de manter o mesmo custo anual do registro nos últimos 10 anos, é de que não mudou em nada seus princípios, agregando também redirecionamento e segurança.

Com o seu segundo nível fechado, o .br preserva a semântica e a diversidade. Isso faz com que o gov.br tenha características de registro muito diferentes de, por exemplo, adv.br ou de org.br. Como diria o Dr. Spock em Jornada nas Estrelas, “vida longa e próspera ao .br!”

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