
SumUp aposta na combinação de maquininha com serviços financeiros e ferramentas de gestão Foto: Jerrome Aufort/Adobe Stock – 24/01/2024
A fintech alemã SumUp vai ampliar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas no Brasil, em um movimento de diversificação para além do negócio central de maquininhas de pagamento. Poucos meses após obter autorização do Banco Central para operar como financeira, a companhia deu início ao gradual lançamento de um cartão de crédito para os clientes e, no ano que vem, deve avançar em opções de capital de giro, empréstimo com garantia e outras modalidades.
A estratégia parte de uma realidade que estremeceu todo o setor na última década: a adquirência sozinha já não é mais capaz de sustentar uma operação rentável. A pressão competitiva comprimiu as taxas cobradas dos lojistas e reduziu as margens das credenciadoras, que fornecem os terminais (POS, na sigla em inglês). O fenômeno também é agravado pelo sucesso do Pix, cuja captura dispensa o intermédio das bandeiras e, dessa forma, tem custo bem menor que o de cartões.
Para sobreviver, a SumUp aposta na expansão da plataforma para combinar a maquininha com serviços financeiros e ferramentas de gestão. O esforço é semelhante ao plano adotado por algumas das principais concorrentes, como PagBank e Stone. Mas a multinacional avalia ter alguns trunfos para se diferenciar. O primeiro deles é a oferta de um software gratuito que permite ao comerciante cadastrar, controlar estoque, acompanhar vendas, administrar o sistema fiscal, entre outras funções. Também não há cobrança de tarifas para o PIX.
Essas condições funcionam como uma espécie de chamariz para atrair e reter clientes, para gerar receitas com a venda de outros serviços mais rentáveis, explica à Coluna a CEO da SumUp no Brasil, Mariana Lazaro. “A adquirência sozinha virou uma commodity, então o nosso diferencial é essa combinação entre software gratuito, crédito justo e a maquininha”, resume.
País é um dos cinco maiores mercados da empresa
A fintech não abre números específicos da operação brasileira, mas revela que o País é um dos cinco maiores mercados globais do grupo europeu. Pelos dados disponíveis no Banco Central, a SumUp somava uma carteira de crédito tímida em junho, de R$ 33,5 milhões. A divisão brasileira havia amargado prejuízo de R$ 40,1 milhões no primeiro semestre, ainda conforme estatísticas submetidos ao BC. Mundialmente, a companhia atende mais de 4 milhões de micro e pequenos lojistas em 37 mercados na Europa, Estados Unidos, Oceania e América Latina. .
Em agosto, a SumUp obteve aval do BC para operar como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI). A licença amplia as fontes de captação de recursos para financiar o crescimento da carteira de crédito, inclusive com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDB). “Com essa licença, nosso foco está em crescimento”, diz Lazaro.
Apesar da diversificação para o crédito, a SumUp pretende continuar investindo no segmento mais rentável da adquirência, o da antecipação de recebíveis. Esse mercado é fruto de uma “jabuticaba” da indústria de pagamentos: no Brasil, a operadora da maquininha tem até 30 dias para repassar ao lojista os valores referentes a vendas no cartão de crédito. Assim, as adquirentes criaram linhas para adiantar o dinheiro ao comerciante, mediante uma taxa de desconto. A disseminação do parcelado sem juros, também uma particularidade brasileira, torna o mecanismo ainda mais complexo.
Para ampliar essa oferta, a SumUp concluiu uma captação de R$ 700 milhões em três novos Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC). Os recursos serão mobilizados para a antecipação de recebíveis, modalidade que atende a cerca de 90% da base de clientes da fintech no Brasil.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 19/10/2026, às 16:56
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