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GP Investimentos compra fatia de fabricante de bebida saudável da Califórnia por R$ 100 milhões

A GP Investimentos adquiriu uma participação na fabricante de bebidas saudáveis norte-americana Zevia por US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões). Com a aquisição, a GP se torna um dos principais acionistas da empresa que produz refrigerantes, chás e energéticos sem açúcar, corantes e adoçantes artificiais e deve faturar por volta de US$ 170 milhões este ano.

“A Zevia é uma empresa com consumidores muito fiéis e, apesar de estar em mais de 40 mil lojas nos EUA, tem o desafio de crescimento”, afirma Rodrigo Boscolo, CEO da GP Investmentos. “Pela nossa experiência como investidores de empresas de produtos de consumo nos EUA há mais de dez anos, teremos muito a contribuir com essa estratégia.”

Criada em 2007, a Zevia foi uma das primeiras marcas a ter o apelo de fabricante de bebidas saudáveis no EUA. Em julho de 2021, abriu seu capital na Bolsa de Nova York (Nyse), quando captou US$ 150 milhões, com as ações precificadas a US$ 14 cada. Atualmente, a cotação está em US$ 1,22.

Zevia: investimento da GP Foto: Zevia

Ao abrir capital, a empresa se registrou como uma Public Benefit Corporation (Corporação de Benefício Público), um modelo jurídico em que a empresa se compromete por contrato a equilibrar os lucros dos acionistas com o impacto positivo na saúde pública e no meio ambiente.

O aumento do custo do dinheiro nos anos seguintes, porém, colocou um freio no modelo de expansão da Zevia, que contava com o capital barato da época da pandemia em seus planos. Os últimos anos foram voltados a arrumar a estrutura de custos da empresa.

A Zevia também passou a enfrentar a concorrência mais acirrada de marcas como Poppi e Olipopi, que inauguraram a categoria dos refrigerantes funcionais ou saudáveis.

A Poppi, por exemplo, é feita com uma mistura vinagre de maçã com suco de frutas e, com a promessa de ser um refrigerante que faz bem ao intestino, viralizou nas redes e tornou-se a grande sensação no mercado americano. Em maio de 2025, foi comprada pela PepsiCo, em uma transação bilionária avaliada em US$ 1,95 bilhão.

A Olipop, que faz refrigerantes prebióticos e botânicos com sabores que imitam os refrigerantes clássicos (como o sabor de Cola e Dr. Pepper) recusou, em 2023, propostas de aquisição tanto da Coca-Cola quanto da PepsiCo. Tornou-se a maior marca independente do setor, faturando na casa dos US$ 400 milhões e com valor de mercado de US$ 1,9 bilhão.

A Zevia, que faz apenas refrigerantes sem corantes e ingredientes artificiais, precisa correr atrás do espaço perdido após arrumar o caixa. Por isso, buscou o sócio investidor, cujo capital será aportado nessa retomada. “Para companhias listadas, é importante encontrar investidores que pensam em longuíssimo prazo e, historicamente, ficamos por anos nas empresas em que investimos”, diz Boscolo, que terá um assento no conselho da Zevia.

Segundo ele, um dos primeiros esforços será buscar que os produtos estejam em diferentes lugares e possam ser experimentados. Hoje, as bebidas da marca são vendidas apenas em pacotes de 12 unidades, o que torna o teste difícil. Assim, parte dos recursos serão gastos em pontos de venda e posicionamento nos canais de distribuição.

Para Boscolo, as vendas online da marca também são bem-sucedidas e haverá um esforço de colocar mais capital para crescer nos canais digitais. Também serão colocados recursos em inovação, como novos sabores e a entrada no mundo das bebidas funcionais. “Tem uma série de inovações que a companhia está estudando e parte dos recursos é para acelerar esse linha de novidades”, afirma Boscolo.

Refrigerantes funcionais são tendência em ascensão

Para Adalberto Viviani, sócio da consultoria Hariot, especializada em varejo, há uma tendência dos consumidores buscarem produtos que melhorem seu desempenho, seja no trabalho ou na academia, e esse tipo de bebida atende à essa demanda. “As festas às 10h sem bebidas alcoólicas, que estão na moda, fazem parte dessa tendência de pessoas que buscam likes nas redes sociais e performance em atividades esportivas”, diz.

A moda já ganhou força em países com maior renda e ainda caminha no Brasil. A GP não pretende trazer o produto para o País num primeiro momento, uma vez que o potencial de crescimento nos EUA é muito superior.

A plataforma de investimentos tem experiência de longa data nesse tipo de negócio. Em 2018, a GP ajudou a montar a The Craftory, casa de investimentos com sedes em Londres e São Francisco, voltada a marcas de bens de consumo com apelo de sustentabilidade.

Adquiriu participações ou o controle de marcas americanas de rápido crescimento como a Seed Health (que faz prebióticos e suplementos), a Hippeas (salgadinhos proteicos a base de grão de bico) e a Edgard & Cooper (alimentação natural para cães e gatos).

A Edgard & Cooper foi vendida à General Mills há dois anos e a Seed está em expansão. “Investimos numa empresa que tinha apenas presença digital e faturava US$ 20 milhões e hoje, ela está em US$ 300 milhões, em muitos pontos de venda físicos”, afirma Boscolo. “São trajetórias de crescimento como essas que a gente quer que a Zevia persiga.”

Nos termos do negócio, os recursos da GP se tornarão ações preferenciais da empresa, posteriormente conversíveis em ações classe A, que são as negociadas na Bolsa de Nova York.

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