A situação internacional aguarda a evolução de três grandes questões que moldarão 2027: a eleição americana, a evolução da inflação naquele país, decorrente do forte aquecimento da economia, e o andamento das duas guerras em curso, que estão elevando as tensões globais de forma acentuada.
No primeiro caso, vale lembrar um antigo ditado mineiro, muito atual após o nosso segundo turno: “Mineração e eleição só depois da apuração”. É verdade. Mas as pesquisas mostram que a baixíssima popularidade de Trump elevou bastante a probabilidade de derrota republicana, com perda do controle da Câmara e, provavelmente, do Senado.

Se confirmada a derrota, os EUA terão um presidente fraco e muito mais perigoso na sua tumultuada gestão Foto: Brendan Smialowski/AFP
Como o banco central americano manteve as taxas inalteradas e a próxima reunião só será em dezembro, não tenho dúvidas de que o Fed ficará atrás da curva, tendo de elevar os juros à frente.
Nesse caso, o boom de IA vai se segurar?
Muito provavelmente, não, dada a ampla aceitação dos analistas de que já vivemos uma bolha e que as empresas do setor estão se endividando em excesso. Será muito difícil mostrar resultados compatíveis com a avaliação atual das empresas expressas nos preços de suas ações.
Sigamos, pois, com os cintos apertados, pois a nave vai balançar.
Aqui no Brasil, vimos uma situação inédita no resultado dos dois turnos das eleições: nunca antes neste país tivemos duas vitórias incontestáveis de dois candidatos diferentes, numa virada surpreendente, que alterou radicalmente o cenário político e que levará tempo para ser totalmente assimilada.
Também vivemos uma inédita convergência na percepção de que temos uma situação fiscal insustentável, agravada pelas promessas de gastos adicionais durante a campanha eleitoral.
Assim, tudo dependerá de quem Lula escolherá para chefiar a área econômica.
Haja ansiedade.