O Grupo Potencial, que produz biodiesel no município de Lapa (PR) e distribui combustíveis, prepara um banco próprio para começar a operar no 2.º semestre de 2027. A intenção é financiar agricultores que poderão fornecer soja à esmagadora do grupo. “A moeda de troca é a soja que a gente vai usar para a indústria”, diz Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente da companhia.
Segundo ele, o pedido de autorização está no Banco Central, e a expectativa é de obter a licença em seis a sete meses. Hoje, um fundo de investimento em direitos creditórios, que reúne valores a receber, financia as nove empresas da Potencial. Com o banco, o grupo pretende ampliar os serviços financeiros e atender também clientes externos.

Complexo da Potencial na Lapa (PR); 3ª planta de biodiesel deve começar a funcionar em 2027 Foto: Grupo Potencial/Divulgação
Milho vira combustível
Entre os planos da Potencial há uma usina de etanol de milho, cuja obra deve começar até março de 2027. A primeira etapa prevê R$ 1 bilhão em instalações e capacidade para 350 milhões de litros/ano. Com recursos para comprar e estocar o cereal, a necessidade financeira deve ir até R$ 1,7 bilhão, estima Hammerschmidt.
Mais receita
A aposta da Potencial para elevar o faturamento está na esmagadora, com capacidade para 1,15 milhão de t de soja/ano e, segundo o executivo, opera a plena carga. A entrada na distribuição de combustíveis na Bahia, onde a empresa ainda não atuava, deve ajudar. Hoje, tem bases no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em 2026, o grupo estima faturar até R$ 14 bilhões.
Crédito em alta
O Sicredi liberou R$ 22,4 bilhões em recursos para o campo de julho a setembro, primeiros três meses da safra 2026/27, montante 4,3% maior ante 2025/26. A cooperativa de crédito cita dados do Ministério da Agricultura, segundo os quais as linhas tradicionais de crédito rural caíram 26%, em meio ao endividamento e à inadimplência do setor.
Renegociação
Parte do avanço do Sicredi contou com a renegociação de dívidas rurais. Desde setembro, a cooperativa fez mais de 14 mil operações, com R$ 3,9 bilhões. “Mais importante que crescer é o desenvolvimento saudável da produção”, diz Vitor Moraes, superintendente de agronegócio.
Leia também
Recupera
O Itaú BBA estruturou três operações em pecuária sustentável. O financiamento é de R$ 205 milhões, com recursos do Leilão do Eco Invest Brasil, para recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária (ILP) e rastreabilidade de bovinos. “As operações devem acelerar a transição para uma agropecuária de baixo carbono com produtores mais comprometidos com a evolução de seus sistemas produtivos”, diz Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do banco.
Sustentável
Do montante liberado pelo Itaú BBA, R$ 70 mi foram destinados à Campanelli, de Bebedouro (SP), para recuperação de pasto, ILP, lavouras e cobertura vegetal. R$ 70 milhões foram para projeto de recuperação de pastos em MT, mecanização e mensuração de emissões de gases de efeito estufa. E R$ 65 milhões foram direcionados a apoiar a intensificação sustentável da pecuária na Amazônia.