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Dexco termina ajustes na operação após fechar cinco fábricas no Brasil

No terceiro trimestre, o balanço da companhia sentiu o peso das mudanças, com prejuízo líquido de R$ 142 milhões  Foto: Daniel Teixeira/Estadão – 14/11/2025

A Dexco, dona das marcas Deca, Hidra, Portinari, Ceusa, entre outras, colocou um ponto final no enxugamento das suas operações, com fechamento e/ou venda de cinco fábricas nos últimos anos no Brasil. O processo foi necessário para adequar sua estrutura a um mercado com menor demanda por materiais de construção, conta o presidente da companhia, Raul Guaragna, em entrevista exclusiva à Broadcast.

“Encerramos um ciclo de ajuste de capacidade e de mudança de estratégia. Como um todo, o negócio está bem ajustado”, disse. Guaragna ponderou que o mercado é dinâmico e, eventualmente, outras mudanças podem ocorrer. Mas, por ora, não há mais nenhum corte em vista. “Estruturalmente, não há nada à frente que estejamos considerando fazer”.

O ajustes fizeram parte um plano de transformação com o objetivo de diminuir a produção e os estoques, além de aumentar a geração de caixa e reduzir a dívida, reposicionando a empresa para enfrentar um ambiente macroeconômico desafiador, com juros altos e vendas fracas.

No segmento de louças sanitários, a empresa chegou a ter cinco fábricas. Hoje, restou uma. Há poucas semanas, ocorreu o fechamento da fábrica de Cabo de Santo Agostinho (PE). Nos anos anteriores, foram desativadas as plantas de São Leopoldo (RS), Queimados (RJ) e João Pessoa (PB), concentrando toda a produção na unidade de Jundiaí (SP) – que recebeu investimentos em automação, tecnologia e modernização industrial.

No setor de revestimentos cerâmicos, a reorganização envolveu a venda da unidade de Urussanga (SC) e a consolidação do parque fabril de três para duas unidades, em Criciúma (SC) e Botucatu (SP) – esta última foi inaugurada ano passado, com equipamentos mais modernos. “Eram operações boas, mas não cabiam mais considerando o tamanho do mercado”, disse o executivo, referindo-se às fábricas que não fazem mais parte do grupo.

Grupo decidiu apostar em produtos ‘premium’

Parte desse enxugamento se deve à demanda mais fraca por materiais de acabamento, refletindo o endividamento das famílias e a dificuldade do consumo em meio aos juros altos no País. Outro fator foi o aumento na competição, com fabricantes partindo para a guerra de preços nos produtos de entrada. Então, a companhia decidiu se posicionar no segmento de itens premium, de maior qualidade e maior preço.

“Temos dificuldade de competir com os produtos de entrada, seja pela nossa estrutura de custos ou pela qualidade que impomos para nosso portfólio”, explicou Guaragna. “O mercado está com muito estoque e capacidade de produção ociosa. A margem de lucro no produto de entrada é baixa, insuficiente”.

Como consequência, as vendas da Dexco estão menores, pois o mercado endereçável diminuiu. Os produtos de entrada representam cerca de 60% do total de louças e metais sanitários, por exemplo. Por outro lado, a margem das vendas está melhor graças a essa estrutura de custo mais enxuta.

No terceiro trimestre, o balanço trimestral da companhia sentiu o peso das mudanças. O grupo teve prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026. A reestruturação e o fechamento de operações geraram perdas de R$ 118,4 milhões no período.

Outro fator não recorrente que pesou sobre os resultados do trimestre foi o reconhecimento de uma perda de crédito de R$ 20 milhões relacionada à Bartira, fabricante de móveis pertencente ao grupo Casas Bahia, atualmente em recuperação judicial. A Dexco é a principal fornecedora de painéis de madeira para a Bartira. O fornecimento está mantido, mas mediante pagamento à vista.

Companhia busca redução de alavancagem

Para as próximas etapas, Guaragna afirmou que a Dexco buscará reduzir ainda mais a alavancagem financeira (medida pela relação dívida líquida/Ebitda). A empresa fechou o terceiro trimestre em 2,36 vezes. O indicador está melhor que o projetado para este ano, que era fechar entre 2,5 e 2,7 vezes. Mais adiante, a ideia é ficar abaixo de 2 vezes, embora isso não tenha um prazo definido para acontecer.

O presidente explicou que a estratégia para isso se apoiará na geração de caixa livre operada pela empresa, que somou cerca de R$ 990 milhões nos primeiros nove meses do ano. O objetivo é abater o valor nominal total da dívida bruta e reduzir as despesas com juros.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/11/2026, às 19:25

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