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Editorial: Chega de ações paliativas

A operação conjunta dos municípios de Florianópolis e São José, num dos limites das cidades, no viaduto da Via Expressa (BR-282), até pode ser celebrada, mas não significa solução definitiva para o problema.

Denominada Saturação, a operação de sexta-feira teve, também, apoio do governo do Estado e é mais um capítulo da série de intervenções que se repetem há meses na região.

O problema é que não romperam o ciclo de abandono, insegurança e degradação social. Ainda que louvável na intenção e necessário na execução, o trabalho precisa ser encarado como a retomada de uma resposta definitiva, e não como mais um esforço pontual que, daqui a algumas semanas, terá pouco ou nenhum efeito.

A área sob o viaduto que liga as duas maiores cidades da Grande Florianópolis tem sido, há tempos, marcada pela presença constante de usuários de drogas, criminosos, abandono urbano e vulnerabilidade social extrema.

São inúmeros os registros de operações de limpeza, fiscalização e acolhimento que, embora bem intencionadas, não resultaram em mudanças duradouras. O padrão se repete: os agentes públicos e de segurança vão, limpam, abordam, fiscalizam e, dias depois, tudo volta a ser como era.

É preciso romper com a lógica das ações emergenciais e implementar uma política permanente, com acompanhamento social constante, urbanização adequada e segurança integrada. Mais do que acolher os vulneráveis, o Poder Público precisa garantir alternativas reais de reinserção e impedir que a região se transforme, de vez, numa espécie de cracolândia da Grande Florianópolis.

Sem estratégias sustentáveis, metas, indicadores e transparência, a tendência é que, meses depois, a situação se repita. Ao menor sinal de recuo do poder público, o tráfico, a miséria e a marginalização retomam o espaço. Não se trata de negar a importância da operação ou desmerecer o trabalho dos agentes e instituições envolvidas.

Mas, o que a sociedade quer e pode cobrar é o compromisso público com um projeto sólido e de longo prazo. Chega de fechar os olhos para esse problema crônico que, se não for encarado com seriedade, continuará envergonhando nossa capacidade de cuidar dos nossos territórios e das nossas pessoas.

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