Câmara Americana destaca que mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem dos produtos importados do Brasil
O Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais realizou uma nova rodada de reuniões nesta quarta-feira, 16, em Brasília, para discutir estratégias visando reverter a taxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump.
Pela manhã, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, recebeu diplomatas, representantes do setor industrial e de entidades empresariais e sindicais. Participaram do encontro nomes como o presidente da CNI, Ricardo Alban, e líderes de associações da indústria automotiva, química, de software, cacau, cana-de-açúcar e transporte de cargas, além de centrais sindicais e organizações do cooperativismo.
No período da tarde, o comitê se reuniu com executivos da Câmara Americana de Comércio para Brasil (AMCHAM Brasil) e da Câmara Americana de Comércio (United States Chamber of Commerce). Também participaram representantes de grandes multinacionais com operação no Brasil e do governo. Entre eles, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e os embaixadores Philip Gough e Fernando Pimentel, do Ministério das Relações Exteriores.
Em coletiva de imprensa realizada logo após a reunião, o vice-presidente afirmou que não vê problemas em pedir uma prorrogação do prazo, caso haja necessidade. “Agora, o importante seria resolver, buscar aí uma solução”. Alckmin também falou sobre a importância do diálogo entre os países e do apoio dos setores produtivos. “Nós queremos trabalhar unidos, unidos com empresários, trabalhadores, todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras quanto as empresas americanas”.
“Taxação pode ter impactos severos nas duas economias”, diz Amcham Brasil
O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, defendeu uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos para evitar a aplicação de tarifas que, segundo ele, podem ter impactos severos nas duas economias. “Essa é uma relação muito importante para o Brasil, assim como é uma relação muito importante para os Estados Unidos, para a economia americana”, disse.
Aos jornalistas, Abrão destacou que quase 10 mil empresas brasileiras exportam atualmente para os EUA, gerando mais de 3,2 milhões de empregos no país. Segundo ele, a entidade tem mantido um diálogo construtivo com o governo brasileiro e colaborado com os dois lados. “Nosso desejo, que é unânime no setor empresarial, é pela construção de uma solução negociada entre os dois governos”, afirmou.
Questionado sobre declarações do ex-presidente Donald Trump, que associou a imposição de tarifas à situação política no Brasil, Abrão afirmou que as empresas atuam dentro do marco econômico e comercial, e que o foco deve permanecer nesse campo, onde há espaço para convergência.

Impactos nos EUA
Mais cedo, em uma nota conjunta com a U.S. Chamber, a Amcham Brasil informa que a tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais para cadeias de suprimento e consumidores americanos, elevando custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores estratégicos da indústria dos EUA.
O texto ainda destaca que mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto cerca de 3.900 empresas americanas investem no país. O Brasil é um dos dez principais destinos de exportações dos EUA, recebendo quase US$ 60 bilhões em bens e serviços americanos por ano.