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funcionários denunciam precariedade e até troca de corpos

Instituto Médico Legal (IML/SP)

Divulgação/Alessandra Haro/Memorial da Resistência de São Paulo

A Polícia Científica de São Paulo enfrenta uma crise marcada pela falta de equipamentos, número insuficiente de funcionários e até troca de corpos. Relatos de profissionais ligados ao Instituto Médico Legal (IML) e de pessoas que dependem do serviço apontam para um cenário de precariedade.

O Estado de SP tem hoje 1.500 peritos criminais, de acordo com o Sindicato da categoria. O número representa 1 profissional a cada 29 mil habitantes, apenas 16% do recomendado pela ONU, que é de 1 perito a cada 5 mil pessoas. 

E a defasagem na polícia criminal paulista não para por aí. João Roberto Oba, que foi médico legista por mais de 30 anos, ressalta a desvalorização da categoria no estado. Segundo ele, o último concurso para a classe foi em 2023 e apenas neste ano foram chamados 100 médicos legistas. “Além disso, temos um dos piores salários da categoria no Brasil”. 

A falta de funcionários combinada com a falta de estrutura tem gerado graves problemas, como atrasos e erros. O IML de Santos ficou 4 anos fechado total ou parcialmente por problemas estruturais.

Na capital paulista, em um pouco mais de um mês, DOIS corpos foram trocados: do marido da Rosangela e do sobrinho da Cibele. “Não tive o direito de enterrar meu marido”, diz Rosângela. A Cibele acrescenta: “passei dias na posta do IML e não davam satisfação. Quando, finalmente, consegui enterrar meu sobrinho foi um alívio”.  

Para o presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado, Bruno Lazzari de Lima, a conta não fecha e por isso erros assim devem continuar acontecendo.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que o IML “apura com rigor” os erros de trocas de corpos.

A SSP diz ainda que o Governo tem investido no fortalecimento das carreiras policiais e convocou recentemente 218 peritos e 100 médicos legistas aprovados no concurso de 2023.    

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