Levantamento aponta 643 ocorrências entre 2020 e 2024; especialistas defendem retirada das linhas férreas de áreas urbanas
Foto: Band Paraná
Um levantamento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revela que o Paraná lidera o ranking nacional de acidentes com trens. Entre 2020 e 2024, foram registrados 643 casos no estado. A região de Curitiba apresenta os números mais altos: 73 acidentes apenas nos últimos dois anos.
A estatística chama atenção após mais um caso grave registrado na capital paranaense. Na última quarta-feira (24), um ônibus biarticulado foi partido ao meio ao colidir com um trem no bairro Cabral. O acidente deixou 11 pessoas feridas.
Segundo especialistas, cruzamentos entre vias urbanas e trilhos em áreas movimentadas representam um risco constante à população. O urbanista Carlos Hardt explica que a responsabilidade pela sinalização nesses trechos é dividida entre órgãos federais, prefeituras e as concessionárias que operam as ferrovias.
Hardt defende a instalação de cancelas em pontos críticos. “A cancela requer mais manutenção, mas é uma barreira bem visível aos olhos do motorista”, explica.
Para especialistas da área urbana, a única solução definitiva para reduzir o número de acidentes é a retirada das linhas férreas dos centros urbanos. Em Curitiba, essa discussão é antiga e remonta à década de 1970, mas nenhum projeto efetivo foi implantado até hoje.
Segundo Hardt, a construção de um contorno ferroviário, que desvie os trens das principais avenidas da cidade, seria a alternativa mais segura e eficaz para evitar novos acidentes. Enquanto o projeto não sai do papel, moradores e motoristas seguem expostos ao risco nas travessias ferroviárias urbanas.