Novas normas do Banco Central restringem renegociação de dívidas e aumenta o número de produtores inadimplentes nos próximos meses

As renegociações constantes das dívidas, as novas formas de financiamento via mercado de capitais e, mais recentemente, o “tarifaço” imposto pelo governo dos EUA aos produtos agropecuários exportados pelo Brasil encobriram – ou pelo menos embaçaram – o aumento acentuado do endividamento e da inadimplência dos produtores rurais e das empresas do agro no país.
Diante disso, o Banco Central implementou novas orientações no final do primeiro semestre, ampliando exigências para renegociação das dívidas rurais, o que deve dificultar renegociações, elevando o número de produtores e empresas para a inadimplência.
Foram introduzidas mudanças no Manual de Crédito Rural, o MCR. Para renegociação de dívidas, as instituições financeiras devem agora comprovar se o devedor tem um problema de caixa momentânea e tem condições de pagar a dívida ao longo do tempo.
“É uma alteração na avaliação de risco. A instituição financeira analisará aquilo que o mutuário poderá enfrentar mais à frente, subjetivamente, como aumento de tarifas, custos de transporte, guerras, eventos climáticos, preços das commodities”, alerta Ademiro Vian, economista e professor da FGV, especialista em crédito rural.
