O Volkswagen Gol surgiu em 1980 e, por muitos anos, foi o carro mais vendido do Brasil. Do raquítico motor 1.3, de 50 cv, do Fusca, ao poderoso AP 2.0 da versão GTI, de 141 cv, a trajetória foi longa.
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Nesse caminho, algumas inovações pioneiras na história da indústria automobilística brasileira. A injeção eletrônica de combustível em 1988 e a tecnologia flex em 2003 foram algumas delas. Ah, não podemos esquecer que o Gol foi também o primeiro carro 1.0 16V, lançado em 1997, o famoso “Gol Bolinha”.
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A ideia deu tão certo que o motor ‘mil’ multiválvulas se estendeu ao Gol G3, lançado em 1999. É dessa fase o exemplar das fotos 1.0 16V Power 2001, pintado na cor de lançamento bege Júpiter.
À venda pela Padrão Misa, o hatch tem pouco mais de 8 mil km. Seu preço é de R$ 39 mil e não está tão hiperinflacionado. É claro que, por este valor, há opções mais completas, igual a 1.6 Rallye 2012. No entanto, a justificativa vale para a baixa quilometragem e por ser um modelo intocável, sem restauração e sem marcas de uso.
GOL DE PLACA
Imagem: Reprodução/ Padrão Misa
De acordo com Misael Domingos, que está intermediando a venda, o Gol só teve três donos e é um carro altamente colecionável. Traz todos os detalhes originais, incluindo o para-brisa com logo da VW. O cuidado e a preservação são tão grandes a ponto do dono querer guardar as placas originais, datadas de 2001. O estepe P6000 também é o original do ano do carro, segundo o lojista.
“A primeira dona foi uma senhora que, depois de um tempo, vendeu a um rapaz que, por sua vez, rifou o veículo, e o meu cliente, contemplado, deixou aqui em consignação”, explica.
Com poucos donos, o Golzinho é raro também por oferecer vidros e travas elétricas nas quatro portas, retrovisores elétricos, abertura elétrica da tampa do porta-malas, CD-player Volkswagen com entrada para arquivos MP3/WMA.
PARTE INTERNA DÁ DE GOLEADA À DOS CARROS ATUAIS

Imagem: Reprodução / Padrão Misa
Por dentro, o acabamento impressiona com o tecido de boa qualidade das portas e bancos e, nessa unidade à venda, especificamente falando, está em perfeitas condições, sem descolamentos ou rasgos.
Na parte externa, as rodas de liga leve de aro 14 com seis raios duplos estão perfeitas e casaram bem, dando esportividade ao hatch popular.
O futuro comprador que for levar este lindo Volkswagen Gol Power 2001 vai levar junto todo o histórico de manutenção comprovado através de documentos, além de livretos, manuais originais do carro e nota fiscal de compra da primeira proprietária.
TRAJETÓRIA DE SUCESSO

Imagem: Divulgação
O Volkswagen Gol 1000 foi lançado em 1992 em resposta ao sucesso do Fiat Uno Mille, lançado dois anos antes, e que tinha como objetivo estimular o crescimento do mercado automobilístico no Brasil através de incentivos fiscais sobre veículos com motores de até 1.000 cm³.
Já a partir do projeto AB9, surgiu a segunda geração (G2), popularmente conhecida como ‘Bolinha’, e com ela, a Volkswagen lançou a 1.0 Plus, mas a 1.0 com antiga carroceria continuava em produção.
O motor CHT da G2 era o mesmo da antiga G1, porém acrescia a injeção eletrônica single point (de um bico) de combustível. Apesar de tais mudanças, os 50 cv eram mantidos, assim como o torque de 7,3 kgfm a 3.500 rpm.
O fôlego extra surgiu em 1997 com a chegada das versões 1.0 8V Mi (com injeção multiponto) que deu a potência de 62,5 cv e torque de 9,1 kgfm a 3.800 rpm. Aproveitando o embalo, a Volkswagen lançou também a 1.0 16V, com 70 cv e 9,4 kgfm a 4.500 rpm.
Com o surgimento da linha Gol G3 em 1999, veio a versão Plus, equipada só com propulsor multiválvulas da antiga carroceria que seguiu em venda só com o 1.0 8V.
Outra evolução surgiu em 2000 com o motor 1.0 16V Turbo para o Gol e Parati, algo até então inédito para motores de baixa cilindrada e que hoje se tornaram comuns. Na dupla, este propulsor rendia a potência de 112 cv e 15,8 kgfm de torque, liberado já nos 2 mil giros.
Isso deu ao hatch um 0-100 em 9,5 segundos e velocidade final de 192 km/h, superando até mesmo o Gol e o Golf com motor 2.0. Mas, problemas na polia do comando de válvulas com variador de fase – e retífica de cabeçote em alguns casos – deram vida curta ao 1.0 16V Turbo.
Entrando na onda do 1.6 que estreou a tecnologia flexível (etanol e gasolina ou a mistura dos dois no mesmo tanque) no Brasil em 2003, dois anos depois vinha o 1.0 flex de até 68 cv e torque de 9,2 kgfm a 4.500 rpm.

Imagem: Divulgação
Ainda em 2005, chegava o Gol G4 e com ele a potência do propulsor 1.0 foi elevada para até 71 cv e torque de 9,7 kgfm a 4.250 rpm.
Na linha 2009, vinha a quinta geração, baseada na plataforma PQ24 (Polo e Fox). Com a nova base, o Gol G5 enfim passou a adotar o motor na posição transversal. No 1.0 8V (VHT – Volkswagen High Torque), a potência novamente crescia para até 76 cv e o torque saltou para 10,6 kgfm a 3.850 rpm.
Em 2010, com a G4 ainda em linha, apareceu a 1.0 Ecomotion (71 cv e 9,7 kgfm a 4.250 rpm) que vinha com diferencial alongado em 6,8%, pneus de baixa resistência ao rolamento e indicador digital de consumo no painel.
A próxima evolução para os propulsores 1.0 viria na linha 2013 do Gol G6, que teve a frente reestilizada baseada na linha Fox, Jetta e Passat. Batizado de 1.0 ‘TEC’, o motor substituiu o polêmico VHT e ficou mais confiável e econômico, ainda que tenha mantido a potência de até 76 cv. O torque passou para 10,6 kgfm a 5.250 rpm.
No Gol G7, que compreendeu uma nova reformulação frontal, as versões com propulsor 1.0 passaram a vir com motor flex de três cilindros de até 82 cv e torque de 10,6 kgfm, marcando a última passagem da trajetória dos propulsores de 1.000 cm³.