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Volkswagen Parati Surf Azul Hava: perua do Gol para surfar na onda dos quadrados

A perua Volkswagen Parati foi lançada entre 1982 e 2012, acumulando mais de 920 mil unidades vendidas. O sucesso, inclusive, foi ampliado para outros mercados, como o dos Estados Unidos e Canadá. Por lá, eram chamados de Fox Wagon e se tornaram os modelos mais baratos nestes países.

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A rara Parati das fotos é uma Surf de 1995. Contando com apenas 41 mil km em seus 30 anos de história, o exemplar está à venda por meio do site do Reginaldo de Campinas, especializado em veículos clássicos e antigos.

O carro possui a pintura original na cor azul Havaí, além de detalhes que identificam a série especial da perua. Os adesivos laterais e os emblemas traseiros estão intactos.

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Na parte interna, o acabamento, ainda que simples, é bem caprichado, com forração de tecido nas portas e painéis traseiros laterais. Os bancos, por sua vez, acompanham o mesmo revestimento e contam com encostos de cabeças dianteiros vazados.

O painel, ainda que simples, traz instrumentação mais completa em relação à versão de entrada CL, a qual lhe serviu de base. Traz relógio digital e tacômetro (conta-giros). Já o volante de quatro raios é o mesmo da linha Santana e Quantum e está em perfeitas condições. O ‘luxo’ vem do sistema de aquecimento, antiembaçante e, na parte externa, do limpador e lavador traseiro, itens inexistentes do modelo mais ‘pé-de-boi’ da Parati. 

Oferecida tanto na versão com motor AP 1.8 a álcool (hoje etanol) quanto a gasolina, igual ao exemplar do Reginaldo, as potências eram de 96 cv e 88 cv, respectivamente. Já no torque, os 15,2 kgfm despejados nas 3.400 rotações por minuto (rpm) com o combustível de origem vegetal e 14,7 kgfm (com os mesmos 3.400 giros por minuto). 

Por R$ 79 mil, a Volkswagen Parati Surf do Reginaldo de Campinas ‘traz de volta’ o que foi a gloriosa década de 1990 para a história da indústria automobilística brasileira. Só resta saber quantos vão querer surfar nessa onda.

VW PARATI: UMA HISTÓRIA DE SUCESSO 

VW Parati da primeira geração marcou o início da história de sucesso da perua compacta no Brasil
Imagem: Divulgação

A Volkswagen acertou em cheio ao batizar o projeto BX de 1976 — do carrinho da marca alemã de Gol, um nome simples e de significado forte, vitorioso. Apesar de, no início, as vendas não terem emplacado como se previa, mais precisamente em 1980, quando o hatch foi comercializado, no ano seguinte as vendas começaram a ganhar fôlego com a substituição do motor 1300 pelo motor 1600. Nesse mesmo ano, mais precisamente em dezembro, a Variant II já dava sinais de cansaço e acabou deixando o seu posto.

A concorrência tinha projetos promissores, de concepções mais modernas, e a montadora alemã precisava se mexer. Desse projeto BX, o Gol daria origem ao sedã Voyage, em 1981.  Baseados nestes dois modelos, em junho de 1982, veio uma perua, batizada de Parati, cuja palavra tipicamente brasileira identifica uma cidade histórica do país, localizada no Estado do Rio de Janeiro, adequada a um veículo para passeios/turismo.

A Parati, apesar de ser uma “Station Wagon”, agradava a todo o tipo de público, desde os mais conservadores: pais de família, esposas e até os jovens, sobretudo os surfistas, que gostavam muito da praticidade do rack (opcional) embutido no teto para carregarem suas pranchas. Até a coluna da porta dianteira, tudo era igual ao resto dos outros membros da família BX, ficando o destaque para o recorte da tampa traseira bem inclinada, conferindo um ar mais jovial à perua da VW. O segmento de peruas naquela época era vasto e contava com concorrentes como Fiat Panorama, Chevrolet Marajó e Ford Belina.

Inicialmente vinha equipada com motor 1.5 de 65 cv a gasolina do Passat, mas, depois de dois meses após o lançamento oficial do modelo, chegava o novo motor MD 270, também emprestado do Passat, disponível tanto na versão a gasolina quanto a álcool. A cilindrada passava a 1,6 litro, garantindo bons 81 cv, graças às alterações na taxa de compressão, comando de válvulas e pistões, além, é claro, da adoção da ignição eletrônica e de um carburador de corpo duplo.  Era produzida nas versões S, LS e GLS, com câmbio de quatro marchas.

Mas foi em novembro de 1985 que a Parati passou a ser equipada com o tão esperado motor AP600, o mesmo que compartilhava o cabeçote com o 1.8 do Santana e do Gol GT. Graças à adição de carburadores mini progressivo e opção de câmbio de 5 marchas nas versões LS e GLS, o consumo na cidade caía consideravelmente, fazendo agora 7,75 km/l.

Dois anos depois, era lançada a série especial Plus, equipada com o mesmo motor AP 600, câmbio de 5 marchas, limpador e desembaçador traseiro, vidros verdes, ar quente, para-choques e calotas da cor do carro, tudo de série. Este foi o último ano em que a Parati receberia as versões S e LS. 

PARATI 1987: NOVA ‘LINHA DE FRENTE’

VW Parati
VW Parati teve a primeira mudança mais significativa em 1987 quando passou por uma reforma visual
Imagem: Divulgação

Foi no ano de 1987 que a Parati ganhava uma leve repaginada. Os para-choques passaram a ser de plástico e a frente é totalmente remodelada. Agora as versões se resumiam a CL, GL e GLS, esta última equipada com o motor AP 1800S (o mesmo usado no GTS) e com bagageiro no teto de série. Na básica CL, o câmbio de cinco marchas era opcional. No ano seguinte, novos painéis e retrovisores incorporariam a linha 1988.

PARATI 1991: MUDANÇAS E MAIS EQUIPAMENTOS

VW Parati
VW Parati recebe mais uma mudança com a mesma base da original antes da chegada da nova geração
Imagem: Divulgação



Em 1991, a Parati passa pela sua segunda reformulação, ganhando nova frente com faróis, lanternas, capô, grades e paralamas. Na traseira, o destaque ficou por conta da tampa traseira mais lisa, ornada por um friso e nova grafia. Além disso, essa safra ficou marcada pela incorporação do para-brisa laminado. As versões permaneciam as mesmas, ou seja, CL, GL e GLS.

Para 1992, passava a ser equipada de série com catalisador e a inclusão do banco traseiro bipartido para as versões mais simples. Na topo de linha foi oferecido como opcional um novo toca-fitas (ETR-TII). Aliás, no ano seguinte, os modelos ficaram mais equipados, ganhando novo banco Recaro (opcional na GL e de série na GLS), ar-condicionado (opcional na GL), carburador eletrônico para as versões com motor 1.8 a gasolina e propulsor AP-1600 que substituiu o AE-1600. 

Em 1994, vieram novos rádios e toca-fitas para a linha, além de carburador eletrônico para as unidades dotadas do AP-1800 a álcool e direção hidráulica, sendo opcional para a GL e de série para a GLS.

No último ano — 1995 — da fase quadrada da Parati, a mudança só ficou para a nova padronagem dos tecidos e, claro, a chegada da versão Surf, o foco principal desta reportagem. Baseada na CL com motor AP 1.8, a Surf vinha com rodas da linha Santana e Quantum GLSi, faróis de milha, rack de teto, adesivos decorativos com a temática litorânea e, sempre na sugestiva cor azul Havaí, inaugurada no Gol G2 ‘bolinha’. Por dentro, painel com conta-giros, volante de quatro raios da família Santana, bancos com nova padronagem eram os diferenciais da série especial. 

PARATI BOLINHA: LANÇAMENTO DA ESPORTIVA GTI

VW Parati
VW Parati da segunda geração teve versões mais sofisticadas, o que inclui a rara GTI com motor 2.0 de 16 válvulas
Imagem: Divulgação

Mas foi no ano de 1996 que uma das peruas mais populares do Brasil chegaria à sua segunda geração (G2), conhecida como ‘bolinha’. Com linhas arredondadas, estava disponível nas versões CLi (AP 1.6 ou AP 1.8), GLi (AP 1.8), GLSi (AP 2.0), com a novidade da injeção eletrônica de combustível, single point nas opções 1.6 e 1.8 e multi-point na 2.0. No entanto, o modelo até hoje mais desejado é, sem dúvida, o GTI, lançado em 1997.

O propulsor 2.0 litros de 145 cv e injeção multiponto era o mesmo do Gol GTI. No mesmo ano, chegou também o motor 1.0 16V de 69 cv à Parati. O fôlego extra surgiu em 1997 com a chegada das versões 1.0 8V Mi (com injeção multiponto), com potência de 62,5 cv e torque de 9,1 kgfm a 3.800 rpm. Aproveitando o embalo, a Volks lançou também a 1.0 16V, com 70 cv e 9,4 kgfm a 4.500 rpm.

Na linha 1998, já com o mercado abastecido de Ford Escort SW, Chevrolet Corsa Wagon e Fiat Palio Weekend, todas com quatro portas, a perua da VW finalmente ganhou essa configuração. No ano seguinte, a novidade foi a chegada do airbag duplo, computador de bordo e freios ABS de série para algumas versões e opcional para outras.

PARATI G3: ESTREIA DO TURBO

VW Parati
VW Parati Turbo foi um marco importante na história da perua que teve diversas versões diferentes ao longo do tempo
Imagem: Divulgação

Nessa fase da G3, uma versão que marcaria a trajetória da perua da Volkswagen foi a inédita 1.0 Turbo, lançada em 2000, junto ao Gol. Na dupla, este propulsor rendia a potência de 112 cv e 15,8 kgfm de torque, liberado já nos 2 mil giros. Isso deu ao hatch um 0-100 em 9,5 segundos e velocidade final de 192 km/h, superando até mesmo o Gol e o Golf com motor 2.0. Mas problemas na polia do comando de válvulas com variador de fase — e retífica de cabeçote em alguns casos — deram vida curta ao 1.0 16V Turbo. A linha se resumiu aos motores 1.0 16V, 1.6, 1.8 e 2.0. 

Ainda na terceira geração, a Parati ganhou algumas séries especiais interessantes, como a Summer, Fun (estendida ao Gol e à Saveiro), Tour, Sunset, Track & Field, além da aventureira Crossover.

PARATI G4: ÚLTIMO SUSPIRO ATÉ SER APOSENTADA

VW Parati
VW Parati G4 foi a última leva da perua, que já estava fragilizada com a chega dos SUV ao mercado
 Imagem: Divulgação

Na quarta geração, a Parati manteria a Track & Field, limitada a 4.400 unidades, e com duas opções de motorização: 1.6 e 1.8. Junto às configurações ‘civis’ com pacotes de acabamento Plus e Comfortline, a perua ainda teve fôlego para receber as edições especiais Surf, Titan, Trend, até ser retirada de linha, em 2012, substituída pela SpaceFox.

Até março de 2012 foram produzidas 920.058 unidades da Parati no Brasil, de acordo com a fabricante, sendo que o término ocorreu em setembro daquele ano

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