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Em 2025, 53% das organizações brasileiras com receita anual superior a US$ 10 milhões relataram aumento de faturamento graças à inteligência artificial generativa. O dado é da pesquisa Retorno sobre Investimento da IA Generativa (ROI), realizada pelo Google Cloud no início do ano.
Os números cada vez mais concretos sobre o impacto da IA nos negócios apoiam a missão de Oliver Parker. O executivo, responsável pela estratégia mundial de comercialização da tecnologia, esteve no Brasil para participar do Google Cloud Summit, onde compartilhou dados inéditos com o público, composto por clientes, parceiros e entusiastas da Big Tech no país.
Além dos atributos já conhecidos, a divisão de nuvem da companhia aposta em infraestrutura local e flexibilidade de projetos para conquistar mais organizações no país e na região. “O cliente brasileiro terá um desempenho muito maior, estruturas de custos melhores e poderá usar o Gemini em escala”, diz Parker sobre a chegada dos TPUs a São Paulo.
Os chips proprietários do Google, desenvolvidos para acelerar aplicações de IA, serão implementados na rede de data centers da empresa no Brasil.
A possibilidade de levar o Gemini 2.5 de forma independente para centros de terceiros, por meio do Vertex AI, também é um diferencial competitivo, em um contexto de tensões geopolíticas e da crescente busca das companhias por soberania digital e segurança da informação. “Somos o único provedor que permite que os usuários executem o Gemini em sua própria infraestrutura. Mais uma vez, estamos tentando dar a todos alternativas reais de escolha.”
Confira a entrevista de Oliver Parker e Marcel Silva, head de vendas do Google Cloud para a América Latina, à Forbes Brasil:
Forbes Brasil: Qual é o impacto da chegada dos TPUs em São Paulo para as empresas que utilizam o Google Cloud no Brasil?
Oliver Parker (OP): “Os TPUs são nosso próprio hardware. Trabalhamos com esse silício há mais de 11 anos e agora estamos trazendo para o Brasil, acredito, a sexta geração. O que isso proporciona é um custo e desempenho inacreditáveis em relação à capacidade de fornecer serviços de IA.
Se pensarmos no efeito cascata, uma companhia brasileira terá resultados muito maiores, estruturas de custos mais enxutas e poderá usar o Gemini em uma escala mais avançada do que a atual.”
FB: Qual é a importância dessa estrutura local em termos geopolíticos? É um avanço para a soberania de dados das organizações brasileiras? Garante as operações do Google no Brasil e em outros países da América Latina?
OP: “Existem diferentes formas de permitir que as empresas aproveitem nossas tecnologias de IA. Obviamente, uma delas é a partir dos novos TPUs. Mas também temos um investimento chamado GDC (Google Distributed Cloud), que consiste em dispositivos isolados que podem ser instalados em data centers externos.
Somos o único provedor que permite que os usuários executem o Gemini em sua própria rede. Portanto, se houver necessidade de soberania, de equipamentos com isolamento ou de operação em ambientes próprios, isso é possível.
Mais uma vez, buscamos dar a todos a liberdade de escolher, para que, caso haja razões distintas — sejam elas geopolíticas, regulatórias ou até mesmo exigências setoriais —, existam diferentes alternativas de como operar e aproveitar a IA.”
FB: O Brasil é um país de pequenos e médios negócios. Qual é a estratégia para atingir esse segmento?
Marcel Silva (MS): “Temos uma estratégia muito específica e dedicada para pequenas e médias empresas. Eu diria que contamos com soluções, ferramentas e tecnologias que atendem desde grandes corporações até microempreendimentos. Também oferecemos condições comerciais bastante flexíveis.”
FB: Como funcionam essas condições comerciais?
MS: “Na nuvem em geral, e também na IA, a maioria das soluções que oferecemos é adaptada a necessidades específicas. Ou seja, o cliente paga proporcionalmente de acordo com o quanto estiver utilizando.
Dependendo do cenário em avaliação, observamos combinações muito poderosas de custos reduzidos com resultados consistentes. Isso depende diretamente de como construímos cada projeto.”
FB: Existem exemplos brasileiros que foram aproveitados como referência para clientes globais?
OP: “O trabalho que fizemos com a Dasa, em imagens médicas e modelos de treinamento para acelerar diagnósticos, é algo com que todos podem se identificar quando se trata de saúde.
Mas o meu caso favorito é o da Receita Federal. Eles recebem 800 mil pacotes diariamente nos aeroportos e estão usando o Gemini para processamento de imagens, de forma a identificar rapidamente se esses pacotes contêm itens proibidos ou suspeitos.”
MS: “Toda a América Latina conhece a Globo, e eles têm projetos muito interessantes, como a reconstrução de imagens históricas com IA, a otimização de recomendações no GloboPlay e, mais recentemente, a criação de um podcast esportivo em que o resumo e a narração são feitos por IA.
Portanto, há muitos exemplos. Tenho certeza de que, à medida que os publicamos e novos clientes os leem, eles se inspiram, geram ideias e isso leva ao surgimento de outros projetos.”