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De quem é a responsabilidade pela segurança digital nas empresas? Para Roberto Rebouças, country manager da Kaspersky no Brasil, a resposta não é tão simples quanto: “do setor de tecnologia da informação”. O executivo afirma que o envolvimento de outros departamentos, especialmente o de recursos humanos, é fundamental.
“O ‘abacaxi’ da cibersegurança está nas pessoas. Não adianta ter toda a infraestrutura de proteção se eu não contar com a capacidade de treinar as equipes”, afirma o líder à frente das operações da companhia russa no Brasil desde 2017.
Em 2024, a Kaspersky, que atende mais de 12 mil clientes no país, interrompeu 437 milhões de ataques cibernéticos. O número de casos, segundo Rebouças, deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionado pelo avanço de novas tecnologias, como a inteligência artificial, e pelas novas vulnerabilidades que surgem com elas.
“O Brasil é campeão mundial de phishing. E, para piorar, com a IA, o e-mail fraudulento é escrito perfeitamente e de forma personalizada”, explica. Por isso, conta, já existem programas de inteligência artificial desenvolvidos para combater seus próprios pares infratores.
Enquanto a segurança cibernética for tratada como custo ao invés de investimento, o cenário não deve mudar, comenta Rebouças. “A dúvida que fica é: se a sua empresa for atacada, ela vai sobreviver?”
Por outro lado, a capacitação coletiva pode ser uma saída, propõe o country manager. Ações integradas entre os departamentos, independentemente do porte da empresa, são essenciais.
“Quando ocorre um problema de segurança, todo mundo tem algo a perder. O que percebemos é que, se as áreas não trabalharem juntas, as ferramentas de proteção são subutilizadas. O TI pode não saber se a equipe precisa de novos treinamentos, mas o RH sabe — e assim por diante”, conclui.