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Ferrari quer 20 novos lançamentos até o fim da década

A italiana Ferrari tem planos grandiosos para os próximos anos. A marca vem acelerando o ritmo de lançamentos – e a tendência é que essa cadência se intensifique ainda mais na segunda metade da década.

Entre 2026 e 2030, a fabricante pretende lançar uma média de quatro novos modelos por ano. Na prática, serão 20 automóveis inéditos em apenas cinco anos – um número expressivo para uma empresa que, em 2024, registrou seu melhor desempenho histórico, com 13.752 unidades vendidas.

Embora nem todos os futuros modelos tenham sido oficialmente confirmados, já se sabe que o primeiro carro 100% elétrico da marca está em desenvolvimento. Chamado, ao menos por enquanto, de Elettrica, ele deve inaugurar um novo segmento dentro da linha sem substituir os modelos atuais – um alívio para os puristas que temiam a aposentadoria precoce dos motores V6 e V12.

A imprensa europeia também especula uma atualização do 296, além de versões conversíveis para o recém-lançado Amalfi e para o F80, ampliando o catálogo de esportivos abertos. Um Purosangue híbrido plug-in também está nos planos, reforçando a estratégia de eletrificação gradual da linha, iniciada com o SF90 e o 296.

Meta ambiciosa

Lançar 20 novos modelos até 2030 é uma meta ambiciosa, mas o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, garante que a exclusividade continuará sendo a prioridade da marca – mesmo com o ritmo quase industrial de lançamentos que se avizinha. A estratégia é clara: expandir o portfólio para novas categorias sem comprometer o prestígio histórico da montadora.

Vigna afirmou a analistas que é “melhor ter mais modelos com volume limitado do que poucos com produção maior”, uma equação calculada para proteger o status da Ferrari contra a “massificação”. A diversificação do portfólio visa atrair novos compradores sem diluir o valor simbólico e o prestígio construído ao longo de décadas.

O aumento na variedade de produtos não reduziu a demanda – pelo contrário. Segundo Vigna, os pedidos atuais já cobrem toda a produção prevista até 2026. Isso significa que quem encomendar um carro hoje só o receberá a partir de 2027, evidenciando o altíssimo interesse do mercado, mesmo com o aumento planejado de produção.

A Ferrari conta hoje com cerca de 90.000 clientes ativos (aqueles que adquiriram um modelo nos últimos cinco anos), um crescimento de 20% em relação a 2022. Desse total, 32.000 são novos compradores, sinal de que a marca vem conquistando novos públicos. Já os colecionadores de longa data possuem cerca de 20% mais carros do que antes, um indicativo do sucesso comercial e da valorização dos modelos entre investidores e entusiastas.

Eletrificados em segundo plano

Assim como outras marcas europeias – especialmente as de superesportivos –, a Ferrari percebeu que a adoção dos carros elétricos não avançou tão rápido quanto o previsto. A pressa inicial, consequência direta dos anos pós-dieselgate, já ficou para trás.

Por isso, a meta anunciada em 2022 de atingir 40% de elétricos até o final da década foi reduzida pela metade, acompanhando a desaceleração global do segmento de veículos a bateria. A empresa não pretende depender de uma tecnologia cuja aceitação entre o público de altíssimo luxo ainda é incerta.

Para 2030, a Ferrari projeta um portfólio composto por 40% de híbridos, 40% de modelos a combustão e 20% de elétricos puros. Essa distribuição, segundo a fabricante, busca equilibrar a transição tecnológica com as preferências dos clientes, diluindo os custos e riscos de uma mudança brusca.

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