Febraban comenta inadimplência do produtor rural; Mapa diz que orçamento do seguro rural pode ser desbloqueado no fim do mês
O crescimento das recuperações judiciais de empresas do agronegócio brasileiro têm preocupado as instituições financeiras. Segundo o diretor de Produtos Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rafael Baldi, isso está interferindo na liberação do crédito rural, já que as instituições estão mais cautelosas.
“A gente tem visto esse volume aumentar de empresas do setor agro pedindo recuperação judicial. Quando a gente tem esses eventos, que vão se somando, acaba trazendo instabilidade para o setor como um todo e aí tem menor apetite em concessão rural”, disse Baldi nesta terça-feira, 14, durante audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados que discutiu o acesso ao crédito rural.
O representante dos bancos também destacou que outros elementos têm contribuído para isso. Baldi falou do quadro macroeconômico nacional e internacional, com juros altos mantidos por períodos mais longos.
Além disso, citou as prorrogações e renegociações de operações de crédito anteriormente contratadas e os problemas com intempéries que provocaram frustrações de safra. “A gente vê uma redução da capacidade econômica do produtor por conta desses eventos climáticos”, comentou. Segundo ele, esses aspectos impactam na inadimplência do produtor rural, que saltou de 1,86% em julho de 2024 para 5,14% em julho deste ano.
Seguro Rural pode ser desbloqueado em outubro
Outro tema discutido durante a audiência foi o Seguro Rural. De acordo com o secretário adjunto de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz, há uma perspectiva de descontingenciamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
“O indicativo é de que deve ser liberado até o final de outubro”, disse o secretário. De acordo com dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), R$ 354,6 milhões do orçamento destinados ao PSR continuam contingenciados. Neste ano, o governo já empenhou cerca de R$ 246 milhões ao programa.
Plano Safra alcança R$ 189 bilhões em contratações
O secretário do Mapa também apresentou um panorama sobre as contratações (contratadas e concedidas) de crédito rural do Plano Safra 2025/2026. O balanço geral mostra um crescimento de 5% no período de julho a setembro deste ano em comparação ao ano passado, somando R$ 186,9 bilhões.
No detalhamento, as CPRs tiveram um desempenho 14% superior ao observado no mesmo período do ciclo passado, chegando a R$ 55,8 bilhões de contratações. Operações de investimentos, com R$ 32,7 bilhões, comercialização, com R$ 12,4 bilhões (+11%), e industrialização, com R$ 12,4 bilhões (+41%), também tiveram alta. Já o crédito para custeio caiu 8%, com um valor de R$ 73,4 bilhões.
Quanto às origens dos recursos, a maior parte continua sendo da Letras de Crédito do Agronegócio. Vaz comentou sobre o papel que os títulos têm no financiamento agropecuário.
“A LCA, talvez hoje, seja a principal fonte de financiamento da agricultura, representa 62% de todos os recursos direcionados nos R$ 516,22 bilhões”, acrescentou.