A nova onda de concessões rodoviárias deve movimentar R$ 46,7 bilhões em investimentos em infraestrutura e tecnologia no país. E no centro dessa revolução está o Free Flow, o sistema de pedágio eletrônico que promete dar adeus às cancelas, eliminar filas e deixar as viagens mais rápidas. Mas a pergunta que fica é: será que o Brasil está mesmo pronto para isso?
VEJA TAMBÉM:
Quem responde é Ailton Queiroga, presidente da COMPSIS, empresa de tecnologia. Para Queiroga, estamos prontos mas como em toda boa história de inovação, ainda há obstáculos pelo caminho.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
Você pode estar se perguntando: e se o sistema não reconhecer o veículo? Pois é, essa é uma das principais dúvidas. Mas Queiroga garante que não há motivo para desconfiança, a tecnologia dos pórticos identifica carros, caminhões e veículos comerciais leves em tempo real, sob chuva, à noite e até em alta velocidade.
A IA da COMPSIS foi treinada com milhões de passagens reais nas rodovias brasileiras e é capaz até de diferenciar caminhões com eixo suspenso ou rodagem dupla, detalhe que costuma confundir sistemas estrangeiros.
“Temos uma tecnologia nacional competitiva em nível global, desenvolvida com base na realidade do nosso tráfego, que tem 40% de veículos comerciais, contra 10% ou 15% em outros países”, explica o engenheiro.
O que ainda trava o avanço
Imagem: Agência Brasil
Apesar da maturidade técnica, o Free Flow ainda engatinha no Brasil. As maiores barreiras, segundo Queiroga, são regulatórias e contratuais. Ainda não há uma regra nacional clara sobre cobrança, integração com o RENAINF (Registro Nacional de Infrações de Trânsito) ou gestão da inadimplência.
Além disso, muitos contratos antigos de concessão simplesmente não preveem esse tipo de tecnologia, o que atrasa sua implantação.Outro desafio é interno e nem todas as concessionárias têm sistemas robustos de backoffice, ou seja, estrutura tecnológica suficiente para operar o modelo.
O engenheiro acredita que as primeiras rodovias a adotar o sistema serão aquelas com alto fluxo urbano ou intermunicipal, onde faltam espaços para praças físicas e sobram reclamações sobre engarrafamentos.
Nos trechos menores, ou em concessões de curto prazo, o bom e velho pedágio com cancela deve continuar firme por mais um tempo.
Para quem está atrás do volante, a adaptação ao Free Flow passa por três pontos fundamentais: comunicação clara, confiança na cobrança e pagamento fácil. A COMPSIS vem apostando nisso com o SICAT Pay, uma plataforma que mostra ao motorista todas as informações da cobrança data, local e valor de cada passagem.
O próximo passo da empresa é o Eaglevision, um sistema que com ele, as câmeras dos pórticos poderão monitorar o tráfego em tempo real, detectar situações de risco e contribuir com a segurança viária.
Mesmo com todo esse avanço, Queiroga acredita que os pedágios físicos não vão sumir tão cedo.“A tendência é de convivência. O Free Flow deve dominar os novos contratos e grandes corredores logísticos, mas em trechos menores, o modelo tradicional vai continuar”, explica.
Ele cita ainda soluções intermediárias, como o papa-filas, tecnologia criada pela própria COMPSIS que reduz congestionamentos nas praças existentes sem precisar substituir tudo de uma vez.
Benefício para quem viaja

Imagem: Divulgação
Para o motorista, os ganhos são de menos poluição, mais agilidade e viagens mais seguras. E diante da recente polêmica sobre o “tarifaço” em tecnologias importadas, Queiroga é categórico e diz que o Brasil não precisa depender de soluções de fora.
“Temos um modelo de Free Flow totalmente nacional, criado para resolver os desafios das nossas estradas. Nossa inteligência artificial é desenvolvida aqui, e concorre de igual para igual, muitas vezes com vantagem em relação às estrangeiras”, afirma.