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Finados: setor de flores espera aumento de 7% nas vendas

Mesmo com mudanças de hábito dos brasileiros, data ainda representa cerca de 3% do faturamento anual, diz Instituto Brasileiro de Floricultura 

Caio Shiroto aumentou em 20% a produção de crisântemos. Foto: Flora Shiroto/Divulgação

O setor de flores e plantas ornamentais projeta um aumento de 7% nas vendas para o Dia de Finados, em comparação a 2024. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), a data ainda representa cerca de 3% do faturamento anual e ocupa a sexta posição entre as que mais movimentam o mercado, mesmo com a redução do hábito de levar flores aos cemitérios.

No Ceaflor, maior mercado atacadista do segmento no País, produtores se anteciparam às encomendas de variedades típicas da data, como crisântemos, kalanchoes e kalandivas, e já venderam boa parte da produção. A procura por flores envasadas também cresce, ampliando o portfólio associado ao período.

As cores preferidas nesta época do ano são o branco e o amarelo, associadas à paz e à lembrança. Mas a produtora de crisântemos, Maritha Domhof, apostou neste ano também nas flores na cor rosa para as homenagens às avós. A expectativa da produtora, proprietária do Rancho Raízes, em Holambra (SP), é vender pelo menos 60 mil vasos, volume 5% superior ao ano passado.

Escassez de mão de obra

Apesar do otimismo nas vendas, o setor enfrenta desafios. O Ibraflor aponta que o clima extremo e a falta de mão de obra têm afetado a produção. Em Atibaia (SP), Dirceu Hasimoto, da Mix Flores, reduziu em 20% a produção de kalanchoes e kalandivas. “O custo de produção subiu muito e não conseguimos repassar. Por isso, optamos por atender apenas clientes que garantiram a compra. Em Finados, vendemos cerca de cinco vezes mais do que em uma semana comum, mas não temos equipe suficiente para atender toda essa demanda”, explica.

Outros produtores, porém, apostam na expansão. O engenheiro-agrônomo Caio Shiroto, da Flora Shiroto, aumentou em 20% a produção de crisântemos no pote tamanho 15 e da variedade Bola Belga. “Percebemos um aumento na demanda e decidimos investir. Como Finados cai em um domingo este ano, há mais chances de as pessoas irem aos cemitérios prestar homenagens”, afirma.

Produtora de crisântemos Maritha Domhof espera vender 60 mil vasos este ano.
Foto: Divulgação/Ibraflor

Shiroto destaca que a produção de crisântemos exige atenção às variações climáticas. Mesmo com o plantio realizado na mesma época, algumas variedades florescem antes do previsto, enquanto outras atrasam. Para reduzir riscos, ele investe em tecnologias de controle de luminosidade e temperatura.

A falta de trabalhadores e a necessidade de reservar áreas para uma produção sazonal também estão entre os gargalos. “A escassez de mão de obra sobrecarrega as atividades semanais, e a estufa fica ociosa em parte do ano, o que eleva os custos. Hoje, o produtor precisa fazer contas e avaliar o que é mais viável para seu modelo de negócio”, completa Shiroto.

Para o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, o setor mostra resiliência ao buscar novos produtos e alternativas para manter a tradição. “Além dos crisântemos, outras flores envasadas passaram a integrar o portfólio da data, como antúrios e até algumas espécies de plantas verdes. Finados continua sendo uma data relevante para o setor e é trabalhada com dedicação por nossos produtores”, diz.

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