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Estado confirma uma morte e mais de 2 mil casos de diarréia em Américo Brasiliense

Água contaminada com bactérias mobiliza autoridades estaduais de saúde em caráter emergencial.

Estado confirma uma morte e mais de 2 mil casos de diarréia em Américo Brasiliense

Água contaminada com bactérias mobiliza autoridades estaduais de saúde em caráter emer

Por Willian Oliveira
15/11/2025 12h00 – Atualizado há 23 horas

Estado confirma uma morte e mais de 2 mil casos de diarréia em Américo Brasiliense

Cidade de Américo enfrenta surto de diarréia, casos de gastroenterite e registra uma morte. Foto: Prefeitura de Américo Brasiliense

A cidade de Américo Brasiliense enfrenta uma grave crise sanitária que já contaminou 2.111 pessoas e provocou uma morte relacionada à diarréia aguda. O município, localizado no interior paulista e com população estimada em 33 mil habitantes, viu seus sistemas de saúde entrarem em alerta máximo após análises laboratoriais confirmarem a presença de bactérias nocivas na água distribuída à população.

Segundo comunicado conjunto divulgado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo, amostras coletadas em outubro revelaram deficiências graves na cloração do sistema de abastecimento munícipe.

 

 

 

 

 

Segundo o documento, exames laboratoriais identificaram coliformes totais e, em análise específica realizada no dia 21 de outubro na área urbana, foi detectada a contaminação por Escherichia coli (E. coli), bactéria responsável por causar infecções gastrointestinais severas.

A situação ganhou contornos ainda mais preocupantes quando dados epidemiológicos começaram a demonstrar um aumento expressivo no número de atendimentos relacionados a sintomas como diarreia intensa, vômitos, febre e dores abdominais. Os registros oficiais apontam que somente em outubro foram contabilizados 1.780 casos, número 292% superior aos 453 registros de setembro.

Emergência sanitária mobiliza distribuição de hipoclorito

Diante da gravidade do cenário, as autoridades estaduais liberaram em caráter emergencial 6 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para distribuição gratuita entre os moradores. O produto químico permite a purificação caseira da água, garantindo consumo seguro enquanto as medidas corretivas estruturais são implementadas no sistema de abastecimento municipal.

Segundo o governo de São Paulo, a Prefeitura de Américo Brasiliense recebeu autuação formal e foi orientada a promover imediatamente ações de comunicação e prevenção de riscos à saúde pública. O Departamento de Água, Esgoto e Meio Ambiente (Daema), responsável pelo abastecimento local, também foi autuado após inspeções técnicas identificarem fragilidades estruturais nos Sistemas de Abastecimento de Água.

De acordo com o relatório oficial, o sistema que utiliza manancial subterrâneo fornece aproximadamente 67% da água distribuída pelo Daema e abastece justamente a região do centro urbano, onde se concentra a maior parte dos casos registrados. As análises técnicas apontaram que o fornecimento de água estava acontecendo fora dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação sanitária.

Em diversos comunicados e manifestações nas redes sociais nas últimas semanas, a Prefeitura de Américo Brasiliense negou irregularidades.

Relatos de moradores evidenciam a extensão do problema enfrentado pela cidade. Casos de reincidência chamam atenção das equipes médicas que atuam no município. Homens, mulheres e crianças, têm voltado constantemente em busca de atendimento médico depois de já terem recebido tratamento.

Análises laboratoriais confirmam vírus e bactérias

Entre os dias 10 e 12 de novembro, autoridades estaduais realizaram inspeções técnicas conjuntas e reuniões emergenciais com representantes municipais, incluindo a prefeita Terezinha Viveiros (Republicanos) e gestores do Daema. Durante esses encontros, foi apresentado o cenário epidemiológico completo e destacada a correlação entre o surto e as condições inadequadas do abastecimento de água.

O comunicado oficial do estado, no entanto, ressalta que amostras clínicas coletadas apresentaram 100% de positividade para patógenos que causam doenças diarreicas. Foram identificados norovírus e rotavírus, além de casos de coinfecção. Esses micro-organismos têm como característica principal a transmissão fecal-oral, podendo ser disseminados através do consumo de água fora dos padrões de potabilidade.

Amostras específicas foram enviadas ao renomado Instituto Adolfo Lutz para análises detalhadas de vírus, bactérias e protozoários. Os resultados definitivos desses exames ainda estão pendentes e serão comunicados assim que disponibilizados pelas equipes técnicas responsáveis.

Problema do mau cheiro adiciona complexidade ao caso

Além da contaminação da água, moradores de Américo Brasiliense têm relatado outro problema que pode estar relacionado ao aumento dos casos: mau cheiro intenso pairando sobre a cidade, especialmente durante o período noturno.

A São Martinho, empresa responsável pela Usina Santa Cruz localizada na região, recebeu dois autos de advertência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) por emissão de odores que podem causar incômodo ao bem-estar público. A companhia afirmou em nota que já adotou diversas medidas para solucionar o problema e reforçou que, segundo informações técnicas disponíveis, não há risco à saúde da população.

Entenda a doença diarreica aguda

Segundo o Ministério da Saúde, a doença diarreica aguda (DDA) corresponde a um grupo de doenças infecciosas gastrointestinais caracterizadas pela ocorrência de no mínimo três episódios de diarreia em 24 horas. O quadro consiste na diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações, podendo ser acompanhado de náusea, vômito, febre e dor abdominal.

Em geral, são doenças autolimitadas com duração de até 14 dias. Entretanto, dependendo do agente causador e das características individuais dos pacientes, podem evoluir para quadros de desidratação que variam de leve a grave, exigindo intervenção médica imediata.

A Escherichia coli detectada nas amostras de água é uma bactéria que normalmente habita o trato gastrointestinal de organismos de sangue quente, mas determinadas cepas podem causar graves intoxicações alimentares. A transmissão ocorre principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal.

Medidas preventivas para a população

Enquanto as correções estruturais não são concluídas, especialistas recomendam que a população adote medidas preventivas rigorosas. Entre as principais orientações estão:

Tratar a água para consumo fervendo-a ou adicionando duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro, aguardando 30 minutos antes de utilizar. Armazenar a água tratada em recipientes limpos e com tampa. Evitar o consumo de alimentos crus ou malcozidos, especialmente carnes e vegetais. Manter rigorosa higiene das mãos, lavando-as frequentemente com água e sabão, principalmente antes das refeições e após utilizar o banheiro. Procurar atendimento médico imediatamente ao apresentar sintomas como diarreia persistente, vômitos frequentes ou sinais de desidratação.

A Vigilância Sanitária Municipal informou que, após a detecção do ponto com laudo insatisfatório em outubro, intensificou medidas corretivas e preventivas junto ao Daema. Na segunda-feira (10), foram coletadas amostras em 18 pontos da rede de distribuição, sendo 12 de rotina e 6 adicionais.

Os laudos disponibilizados na quinta-feira (13) confirmaram níveis adequados de Cloro Residual Livre em toda a rede analisada e ausência da bactéria E. coli nas amostras daquele período específico. Contudo, o histórico de contaminação já havia gerado o surto que se espalhou pela cidade.

Contexto regional preocupa autoridades

O caso de Américo Brasiliense acende um alerta para municípios vizinhos sobre a importância da manutenção adequada dos sistemas de abastecimento de água e do monitoramento constante da qualidade da água distribuída à população.

A região de Araraquara, que inclui Américo Brasiliense, conta com infraestrutura de vigilância sanitária que deve atuar preventivamente para evitar novos surtos. A situação reforça a necessidade de investimentos continuados em saneamento básico e na modernização dos sistemas de tratamento e distribuição de água.

Autoridades estaduais mantêm acompanhamento próximo da evolução dos casos e das medidas implementadas pela administração municipal. A população permanece em estado de alerta, aguardando a normalização completa do abastecimento e a garantia de que a água distribuída atende todos os padrões de potabilidade exigidos pela legislação sanitária brasileira.

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