Em meio aos inúmeros desafios do sistema prisional, uma ferramenta se destaca como essencial para romper o ciclo da criminalidade e reconstruir trajetórias: o trabalho. Para pessoas privadas de liberdade, a oportunidade de exercer uma atividade laboral não é apenas uma forma de ocupar o tempo.
É, sobretudo, uma chance real de transformação, dignidade e recomeço. Trabalhar dentro do sistema prisional significa ressignificar histórias, fortalecer a autoestima e preparar o caminho para uma vida produtiva após o cumprimento da pena.
Santa Catarina sediou, semana passada, a 4ª Mostra Laboral, promovida pela Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social. O evento buscou aprofundar o diálogo entre a sociedade e o sistema prisional, destacando o trabalho como ferramenta essencial de transformação e reintegração social. O público que compareceu ao CIC pôde conhecer os produtos confeccionados por pessoas privadas de liberdade nas unidades prisionais do Estado.
Referência nacional, Santa Catarina se destaca por ter 33% da população carcerária envolvida em atividades laborais, o que representa mais de 9.500 pessoas privadas de liberdade trabalhando em todo o Estado – são 7.900 em atividades internas e 1.600 em frentes externas. Atualmente, o sistema prisional catarinense mantém 217 parcerias laborais ativas, entre empresas privadas, prefeituras e outros órgãos públicos.
A prática laboral no cárcere oferece benefícios que ultrapassam os muros das unidades prisionais. Ao aprender um ofício, aperfeiçoar habilidades ou participar de atividades produtivas, o detento encontra novos horizontes.
O trabalho se torna um meio de reconectar essas pessoas com valores fundamentais, como disciplina, responsabilidade e convivência coletiva. Mais do que isso, abre portas para a reinserção no mercado após a liberdade, reduzindo a reincidência e contribuindo para a segurança de toda a sociedade.
No entanto, para que esse potencial seja plenamente realizado, é indispensável fortalecer as parcerias entre presídios, prefeituras, empresas privadas e demais órgãos públicos. São essas articulações que possibilitam a criação de vagas de trabalho, oficinas de capacitação e programas de qualificação profissional.
É preciso reconhecer que o trabalho no sistema prisional não é um privilégio, mas uma política pública necessária, inteligente e humanizadora. Ignorar essa realidade é perpetuar um modelo que apenas pune, sem oferecer caminhos de mudança. Investir em trabalho para pessoas privadas de liberdade é investir em cidadania, segurança e futuro. É compreender que, mesmo em meio às falhas do sistema, vidas podem e devem ser transformadas.