Novembro ainda nem terminou e Santa Catarina já registrou nove feminicídios. O último deles, foi a morte da pesquisadora Catarina Kasten, de 31 anos, na praia do Matadeiro, na região Sul de Florianópolis, na última sexta-feira, enquanto ia para a aula de natação na praia vizinha.
Mais um crime que chocou a cidade e o Estado. Mais uma mulher que sai de casa para um compromisso e não volta. Mais uma família que é submetida a um trauma evitável, que chora a dor de uma perda irreparável e que deixará cicatrizes para sempre.
A violência contra a mulher é uma crise ética e social no país e no mundo. É uma questão política e de dignidade, de igualdade e de direitos humanos. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 840 milhões de mulheres em todo o mundo já sofreu algum episódio de violência doméstica e sexual ao longo da vida. Somente nos últimos 12 meses, 316 milhões de mulheres – 11% delas com 15 anos ou mais – foram vítimas de violência física ou sexual praticada pelo parceiro.
Violentadas e mortas por parceiros ou não, é preciso dar um basta. As mulheres não estão seguras – seja dentro ou fora de casa. Precisam ser protegidas onde mais deveriam se sentir – estar – seguras. O feminicídio deixa marcas profundas na sociedade, e além da perda de vidas, tem como consequência famílias desestruturadas e a perpetuação da violência contra as mulheres.
Este tipo de crime é uma das injustiças mais antigas e disseminadas da humanidade, e está longe de ser combatida como se deve. E mais: nenhuma sociedade pode se considerar justa, segura e saudável enquanto metade da população vive com medo – de sair à noite, de andar na rua, de usar a roupa que quer, de ser mulher. Ser mulher é viver em alerta.
É preciso, portanto, criar políticas públicas, que devem ir além da resposta judicial. É essencial fortalecer redes de proteção: delegacias especializadas, medidas protetivas eficazes e apoio jurídico, social e de saúde para as vítimas.
Em paralelo, programas de prevenção direcionados a potenciais agressores, podem romper ciclos de violência. Investir em justiça, educação, saúde e assistência social é investir em dignidade e no direito ao viver sem medo para milhões de mulheres.
E sempre deixar claro que por trás de cada número que monta a estatística, há uma mulher, uma menina cuja vida foi ceifada ou alterada para sempre. Não podemos mais admitir calados que situações como essa sigam acontecendo. Um mundo mais seguro para as mulheres é um mundo melhor para todos.