A situação da antiga rodoviária de Florianópolis, nas esquinas da avenida Mauro Ramos com Hercílio Luz, no Centro de Florianópolis, é lastimável e se tornou um símbolo de disputas ideológicas que atrasam o desenvolvimento da cidade, ao mesmo tempo em que o imóvel se deteriora e ameaça a segurança de toda a região. O local é alvo de um impasse há anos.
Primeiro porque era ocupado irregularmente por lojistas sem licitação, e depois que o imóvel foi desocupado e interditado, em fevereiro deste ano, se tornou endereço de pessoas em situação de rua utilizam como moradia – inclusive pelo telhado.
Não bastasse invadirem um local privado, moradores de rua e usuários de drogas utilizam o telhado como porta de entrada, porque a fachada está com tapumes. Arriscam suas vidas e põem em risco a comunidade do entorno, porque levam para dentro da edificação velas e tocos de madeira para fazer fogueiras. Os moradores da região estão preocupados.
Um vazio urbano degradado, ocioso, inseguro e que se degrada a cada dia, apesar das controvérsias defenderem valor histórico. Por sorte, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) concorda com os perigos iminentes e ingressou com pedido urgente na Justiça pedindo a demolição urgente do prédio. Porque sim, a vida da população deve sobressair a qualquer valor histórico questionável.
Florianópolis não pode mais viver esse impasse. A situação do prédio da antiga rodoviária tem de ser resolvida. A demora tem consequências reais para a cidade e a população.
A área atrai insegurança, afasta investimentos, cria zonas de sombra no coração histórico da cidade. Chega de empurrar com a barriga. Cidades não vivem e indecisões nem de inércia. Deixar o imóvel como está não vai resolver o problema que ele causa.
Da mesma forma, os casos que envolvem pessoas em situação de rua precisam de uma solução. A cidade precisa ter uma gestão ativa no caso. Não basta oferecer lugar para dormir, tomar banho e se alimentar.
É preciso saber o que precisam e oferecer possibilidades – inclusive de tratamento, porque muitos dos que vivem perambulando pelas ruas são dependentes de drogas.
Cidades que se respeitam ocupam, cuidam e reinventam seus espaços – e mudam, quando a segurança da população entra em jogo. Está na hora de a Capital fazer o mesmo. E para isso, é preciso coragem.