Testes começam na próxima safra, mas ainda faltam autorizações nos países exportadores, o que empurra a comercialização para mais adiante
A multinacional Bayer lançou nesta semana uma geração de biotecnologia voltada para a soja. Chamada de Intacta 5+, a tecnologia promete ajudar no controle de plantas daninhas e das lagartas mais comuns que afetam as lavouras da oleaginosa.
Os testes em campo devem começar a partir da próxima safra e a expectativa da empresa é que as primeiras variedades de soja que contarão com a inovação estejam disponíveis no mercado na safra 2027/2028. Segundo a empresa, as aprovações no Brasil já estão feitas, mas faltam nos países exportadores. Por isso, o prazo de comercialização é mais distante.
Controle de plantas daninhas e insetos
Como explica o CEO da Bayer, Márcio Santos, essas variedades com a biotecnologia serão capazes de “ampliar o leque de oportunidades do uso de químicos para o controle das plantas daninhas”. De acordo com o executivo, o lançamento é adaptado para a realidade brasileira. Por isso, a diversidade de atuação.
“A nova tecnologia traz dois atributos muito relevantes: o desafio da agricultura tropical e como você lida com inseto, com mato e com doença. Essa biotecnologia traz uma modernidade na solução de controle para dois desses três grandes problemas”, comentou o CEO ao Agro Estadão.
No caso das plantas daninhas, a novidade é a tolerância a cinco herbicidas: mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D. A promessa é que plantas como caruru, capim pé-de-galinha, cravorana, buva e capim-amargoso sejam mais facilmente controladas com o manejo dos herbicidas.
Outro ponto é a proteção contra alguns tipos de lagartas. É o caso da lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu), da lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) e da lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus). Esta última, segundo a empresa, tem causado prejuízos já desde o início do plantio, uma vez que ataca as fases iniciais da soja, causando falhas na lavoura.
Programa Pro Carbono alcança 3 milhões de hectares
Outra frente de atuação da multinacional tem sido no programa Pro Carbono, que foca em trazer soluções voltadas à agricultura regenerativa. Com atuação desde 2021, o programa atingiu, durante a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), cerca de 3 milhões de hectares que utilizam as práticas sustentáveis no Brasil e na Argentina, variando entre as culturas de soja, milho e algodão.
“É um sistema que se mostrou mais resiliente em anos de seca. O solo com matéria orgânica, ele mantém mais água, portanto a produtividade é muito superior. Mas também mostra que é uma solução para regenerar, para tornar o solo melhor capturando o carbono”, acrescentou Santos, ao mencionar um aumento de produtividade de 11% anuais nas fazendas que adotam a metodologia.
Segundo a empresa, áreas agrícolas de soja que seguiram as recomendações do programa obtiveram uma redução nas emissões de 50% no comparativo com a média nacional. No caso do milho, esse resultado seria de 55%, podendo chegar a 60% dependendo do manejo.