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Editorial: Cães na praia e a fiscalização

A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou ontem por unanimidade a regulamentação da permanência de cães nas praias da Capital, um texto proposto pela vereadora Pri Fernandes (PSD) e que prevê que os animais de estimação possam ser levados a praias específicas e em horários determinados – o Executivo será o responsável por estabelecer locais e horários.

Mas essa questão vai além de permitir ou não os cães na praia. Primeiramente, deveria respeitar os próprios animais: assim como os seres humanos, eles correm risco de insolação, a areia quente pode queimar suas patinhas e há os riscos sanitários para os frequentadores. Além disso, a presença dos cachorros pode incomodar pessoas e crianças que têm medo deles, por exemplo.

Assim como a questão das caixas de som nas praias, os ambulantes ilegais, as mesinhas e guarda-sóis na areia, a cobrança de estacionamento irregular em vias públicas, a mobilidade urbana especialmente durante a temporada de verão – Florianópolis deve ser o destino de mais de 3 milhões de turistas nacionais e internacionais entre os meses de novembro deste ano e maio de 2026 – os cachorros na praia são um desafio que está longe de uma solução que contente a todos.

A fiscalização é uma questão a ser tratada. Como a prefeitura pretende fiscalizar a presença dos cães na praia se não consegue, ano após ano, coibir o comércio ambulante ilegal – inclusive a venda de malas de viagem na areia -, as mesas e cadeiras que privatizam trechos de areia, as caixas de som que ignoram vizinhança e descanso?

A ausência de planejamento para a orla na temporada torna moradores e turistas reféns, e ninguém que visita a cidade, com belezas naturais incríveis, 42 praias de tirar o fôlego, quer ter problemas ou ser incomodado por algo que já deveria ter sido solucionado.

De que adianta criar horários, exigir coleiras e documentos se a cidade não tem estrutura mínima para fiscalizar aqueles que não cumprem o que foi determinado? O único resultado, bastante previsível, é a frustração dos cidadãos que seguem as regras, que se sentirão punidos enquanto os que as ignoram seguem confortáveis.

A praia é um local compartilhado. Exige respeito, convivência e responsabilidade de todos. Não cabe transformar tutores e seus pets nos únicos culpados pelas mazelas da orla.

O verão exige planejamento e presença — não apenas decretos ou leis. A prefeitura precisa responder como pretende fiscalizar, com que equipe, quais prioridades e em que prazos. Do contrário, a cada nova temporada, discutiremos sempre os mesmos desafios.

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