O Volkswagen Fusca em pouco tempo no Brasil se tornou um fenômeno e que se perpetua até hoje. Não é à toa que ele continua sendo um dos carros clássicos mais buscados em sites de classificados. A paixão, em especial, do brasileiro pelo modelo rendeu até uma data comemorativa: 20 de janeiro.
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O truque do Fusca sempre esteve relacionado à simplicidade do projeto aliada à robustez mecânica, graças à astúcia do mestre Ferdinand Porsche. O período marca o início da produção do modelo no país, em 1959, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).
Com o seu término na produção em 1986 e o retorno em 1993 e, por fim, a sua parada em 1996, o Fusca somou mais de 3,3 milhões de unidades.
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Entre esse montante, um exemplar é o da loja GG World Premium Classic que recentemente foi vendido por R$ 160 mil. É um Volkswagen Sedan 1300L fabricado em 1979 que foi de um único dono que só rodou 11.300 km rodados.
Imagem: Herik Alves/HKCD
A originalidade dele vai além do pouco uso. Segundo Alex Fabiano, o GG, o carro nunca sofreu sequer uma leve restauração que seja nesses quase 50 anos de história. “A pintura e o interior são de fábrica e não têm um retoque ou marca do tempo, ou seja, um veículo para colecionadores altamente exigentes.”
A cor branca Alasca parece que literalmente ‘congelou’ no tempo. Perceba o emblema original da concessionária Brasilwagen pregado no centro da tampa do motor, sob o qual descansa o motor boxer 1300 L alimentado com a ajuda de um carburador.

Imagem: Herik Alves/HKCD
O funcionamento é suave, sem engasgos, e garante modestos 46 cv. O câmbio de quatro marchas é de quatro marchas e os engates são precisos e tradicionalmente longos, por ser um sistema de mecanismo acionado por varão.
Por dentro, o Fusca mantém o mesmo cuidado e a atenção dos detalhes externos. Os acabamentos em preto dos comandos, das manivelas, puxadores e dos bancos permanecem novos. Nem mesmo o teto branco, que é muito comum amarelar ou manchar, acabou escapando da ação do tempo. Até o nicho no centro do painel, onde comumente haveria um rádio instalado, foi preservado.
O PROJETO FUSCA

Imagem: Divulgação
O Fusca foi um interessante projeto, criado pelo ditador alemão Adolph Hitler e encomendado ao professor Ferdinand Porsche, hoje um dos nomes mais aclamados quando se fala em criador de carros de alto desempenho.
A ideia do veículo, segundo as intenções do líder nazista, teria que ter propostas um tanto quanto práticas que atendessem desde pequenas famílias até serviços bélicos. Seu motor inicialmente era refrigerado a ar de 1,2 litro (1.131 cc) de apenas 25 cv, que atingia a velocidade máxima de 100 km/h, suficiente para enfrentar as subidas com até 30% de elevação.
Fora isso, o carro ainda teria câmbio de quatro marchas, sendo a primeira não sincronizada, e um sistema elétrico de 6 V, características que atendiam todas as exigências de Hitler. O espaço para quatro pessoas era suficiente para 4 pessoas. Assim, o projeto KDF – Kraft Durch Freude – ou, traduzindo para o português, força através da alegria estava para nascer.
Assim, somente em 1936 vieram os primeiros protótipos, já prontos para serem comercializados. Os primeiros modelos vinham ausentes de para-choques e vigia traseiro e havia uma estranha e curiosa entrada de ar. As portas possuíam uma abertura em sentido anti-horário e eram desprovidas de lanternas e quebra-ventos.
Em 1937, outros 30 novos projetos foram testados com o apoio da indústria automotiva alemã. No ano seguinte, era construída uma nova fábrica em Hanover, onde seriam produzidas algumas unidades do carro. Logo depois, Hitler havia definido o nome, Volkswagen, ou Carro do Povo. Assim estava pronto um produto que viraria uma lenda no mercado automobilístico.
PRIMEIRAS UNIDADES DO FUSCA NO BRASIL

Imagem: Divulgação
Em 1950 vieram as primeiras versões importadas para cá, sendo o primeiro exemplar vendido ao empresário paulistano Eduardo Andrea Matarazzo. Nos primeiros três anos, o carro foi um sucesso de imediato. Em 1953, a Volkswagen alugou um pequeno galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
Quatro anos depois era inaugurada a fábrica Anchieta, localizada às margens da rodovia de mesmo nome na cidade de São Bernardo do Campo, na grande São Paulo. Logo depois, em 1959, o primeiro Fusca nacional chegava para ser comercializado, durando até o ano de 1986 sem praticamente nenhuma reestilização marcante ao longo deste período.
Neste intervalo de tempo, o então VW Sedan — o nome oficial passou a ser reconhecido a partir de 1983 no Brasil — foi o carro mais vendido no mundo, superando o Ford Modelo T, em 1972.
A VOLTA DO FUSCA EM 1993

Imagem: Divulgação
Numa tentativa de reaver o conceito dos carros populares de mais cilindrada, no ano de 1993, o então presidente da República Itamar Franco fez uma sugestão à fábrica da Volkswagen para que voltasse um dos carrinhos mais queridos do brasileiro, o famoso Fusca.
Produzido entre os anos de 1993 e meados de 1996, o Fusquinha — como era chamado carinhosamente — recebeu o apelido de “Itamar” em homenagem ao executivo. No geral, a carroceria era a mesma que fez sucesso entre os anos 80.
Entre as sutis diferenças, estavam: novas cores, adoção de ignição eletrônica, catalisador, retrovisor do lado direito, pneus radiais, para-brisa laminados, cano de escape com única saída em vez de duas na antiga série, bancos com novos desenhos, painel das portas na cor cinza, volante acolchoado em espuma, entre outros itens.
Esta série infelizmente acabou não vingando devido aos novos populares com projetos mais promissores que entravam no mercado. Com um investimento de 30 milhões pela volta do Fusca, o projeto rendeu apenas 47.700 veículos comercializados.
Desde a época de seu lançamento no Brasil até o final de sua produção em 1996, o Fusca praticamente manteve as mesmas linhas clássicas que fizeram dele um sucesso pelos quatro cantos do mundo, somando a incrível marca de 3.372.000 unidades vendidas no Brasil.
Só por curiosidade, no Brasil, o último Fusca foi fabricado em 1996 com uma série exclusiva denominada “Série Ouro”, que vinha a mais com faróis de neblina, adesivo comemorativo da edição e nova grafia “Fusca” em alto relevo colada na tampa traseira. Um sucesso como este que permanece até hoje não só na mente de muitos entusiastas, mas também de muitos proprietários que um dia já sonharam em tê-lo e só hoje puderam realizar o sonho.