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Ceia mais cara em 2025 impulsiona consumo de carne suína

Preços mais competitivos fazem tender e pernil ganharem espaço nas festas, enquanto a avicultura do RS projeta alta de 2% no faturamento.

Com preços mais atraentes ao consumidor, tender e pernil devem puxar as vendas neste fim de ano. | Foto: Adobe Stock

O mercado brasileiro de proteínas entra no período mais aquecido do ano com expectativa de crescimento nas vendas de aves e carne suína para as ceias de Natal e Ano Novo. No Rio Grande do Sul, a avicultura prevê faturamento de R$ 1,438 bilhão em 2025, alta de 2% em relação a 2024. No segmento suinícola, tender e pernil têm preços mais atraentes aos consumidores e devem puxar as vendas.

Uma pesquisa da empresa VR apontou recuo de 11,3% no preço do tender e de 1,9% no pernil – enquanto a maioria dos itens da Ceia de Natal ficaram mais caros em relação ao ano passado. O levantamento analisou mais de 13 milhões de notas fiscais escaneadas entre 2024 e 2025, mostrando que nove dos 13 itens analisados tiveram alta nos preços.

O lombo suíno, por exemplo, aumentou 18% em comparação ao último ano, enquanto as aves festivas, como Chester e Fiesta, tiveram alta de 16,9%. Já o tradicional peru foi de R$ 112,31 para R$ 114,99 em 2025, variação de 2,4% em um ano. Enquanto o preço do bacalhau saltou de R$ 61,59 em novembro de 2024 para R$ 113,36 no mesmo mês de 2025.

Além do preço mais convidativo para o bolso, o sabor da carne suína está cada vez mais presente no paladar do brasileiro. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam alta de 2,3% no consumo da proteína, chegando a 19 quilos por habitante em 2025, contra 18,6 quilos em 2024. A produção nacional acompanha o consumo e deve alcançar até 5,55 milhões de toneladas neste ano e chegar a 5,7 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 2,7%.

Ranking dos cortes

Na Del Veneto, empresa especializada em cortes suínos da raça Duroc, a projeção é de aumento de 20% na procura em dezembro, na comparação com outros meses. “A carne suína responde muito bem ao formato das celebrações de fim de ano. Os cortes permitem preparo com antecedência, bom rendimento e adaptação tanto à ceia principal quanto a entradas e tábuas frias”, explica Flávia Brunelli, especialista em cortes suínos e fundadora da marca.

A empresa elaborou um ranking dos cortes mais procurados neste período. O carré de leitão lidera a lista, seguido por pernil recheado, tender, porchetta (barriga) recheada e prosciuttos (presuntos curados a seco e temperados) para tábuas de frios. “O carré reúne maciez, rendimento e apresentação. Por se tratar de leitão, a carne apresenta fibras mais curtas e responde bem tanto ao forno quanto à grelha. O preparo mais adotado envolve assado inteiro, com finalização fatiada para o serviço”, afirma Brunelli.

Setor avícola espera aumentar desempenho em 2%

Por outro lado, o setor avícola aposta na tradição e na estabilidade. Levantamento preliminar da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) aponta produção estimada de 56,4 mil toneladas de perus e aves natalinas. O volume representa retração de 2,4% frente ao ano passado, mas mantém o desempenho econômico do setor, segundo a entidade.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, o resultado reflete a adaptação da cadeia produtiva. “A avicultura gaúcha mostrou, mais uma vez, maturidade e responsabilidade produtiva. Adequamos volumes, preservamos mercado e mantivemos estabilidade comercial. Isso demonstra eficiência, planejamento e uma cadeia altamente profissionalizada, capaz de enfrentar crises e lutar por competitividade”, afirma.

O Rio Grande do Sul ocupa a segunda posição entre os exportadores nacionais de carne de peru, com embarques anuais de 22,8 mil toneladas. No mercado interno, o consumo permanece estável, em 0,297 quilo por habitante/ano, reforçando o caráter sazonal do produto.

Segundo a Asgav, as aves natalinas exigem manejo diferenciado, maior consumo de ração e logística específica, fatores que elevam os custos. Mesmo assim, o setor mantém geração de renda e empregos. “A avicultura é um pilar da economia gaúcha. Mesmo em anos difíceis, seguimos entregando resultados, garantindo segurança alimentar, empregos e competitividade. Isso é fruto de investimento, tecnologia e, sobretudo, da capacidade do produtor e da indústria gaúcha de se reinventarem”, diz Santos.

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