A KTM trabalha discretamente no que promete ser mais uma moto “manifesto” da marca: a inédita 1390 Super Duke RR. Documentos de homologação europeus confirmam a chegada da nova versão extrema, que se juntará à Super Duke R convencional e reforça a percepção de que a fabricante austríaca voltou a operar com confiança após o apoio financeiro da indiana Bajaj.
Embora versões RR da Super Duke não sejam exatamente uma novidade — a KTM já adotou essa estratégia em outras ocasiões —, o momento atual dá um peso diferente ao lançamento. Nos últimos tempos, a marca enfrentou dificuldades significativas, com paralisações de produção, cortes de pessoal e incertezas sobre o futuro. A entrada da Bajaj, com aporte financeiro e compromisso de longo prazo, estabilizou a operação. Desenvolver uma moto de produção limitada, alto custo e foco absoluto em desempenho não é uma decisão típica de uma empresa em modo defensivo.
De acordo com os registros de homologação, a 1390 Super Duke RR seguirá a mesma filosofia adotada nas RR anteriores, como a 1290 Super Duke RR lançada em 2021 e repetida em 2023. Em ambos os casos, a produção foi limitada a 500 unidades, com foco na redução de peso e em componentes voltados ao uso em pista, e não em números absolutos de potência.
Nesse novo modelo, a potência permanece inalterada em relação à Super Duke R padrão: são 188 cv a 10.000 rpm e 107 lb-ft de torque a 8.000 rpm. A grande diferença está no peso. Com tanque cheio, a Super Duke RR aparece com 204 kg (450 lb), contra 212 kg (467 lb) da versão R convencional. Uma redução de cerca de 8 kg é relevante em uma naked já posicionada no topo do segmento.
Um dos elementos confirmados para essa economia de peso é o escape Akrapovič em titânio, homologado para uso em rua e já conhecido do catálogo de acessórios da KTM. Ele não altera a potência, mas reduz massa e reforça o posicionamento da RR. Ainda assim, o ganho total sugere que outras mudanças estruturais estão em jogo.
Seguindo a receita das RR anteriores, é esperado o uso de bateria de íons de lítio, rodas forjadas, componentes em fibra de carbono e configuração monoposto. No caso da 1290 RR, as rodas forjadas inspiradas na MotoGP sozinhas já respondiam por uma redução de aproximadamente 1,3 kg, o que indica que vários detalhes somados explicam a diferença final.
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A suspensão também deve ser um dos pontos-chave. Na geração passada, a KTM abandonou o ajuste eletrônico em favor de um conjunto WP Apex Pro totalmente manual, priorizando menor peso e maior precisão em uso esportivo. Embora os documentos não detalhem a suspensão da nova RR, manter o sistema eletrônico seria mais surpreendente do que repetir a solução mecânica focada em pista.
Há ainda pequenas alterações dimensionais. A RR é cerca de 18 mm mais larga e ligeiramente mais longa que a Super Duke R padrão, mudança que pode estar relacionada a protetores de manete de estilo racing. O entre-eixos permanece em 1.491 mm, e os pneus seguem nas medidas esportivas já conhecidas: 120/70 ZR17 na dianteira e 200/55 ZR17 na traseira.
O conjunto indica que a KTM não busca reinventar a Super Duke, mas destilar ainda mais seu conceito: menos peso, menos concessões e foco absoluto em desempenho. Sem excessos tecnológicos ou corrida por números de ficha técnica, a proposta é tornar uma moto já extrema ainda mais afiada.
Quanto ao cronograma, atrasos recentes da marca recomendam cautela. Alguns modelos apresentados anteriormente ainda não chegaram às concessionárias. Ainda assim, os documentos de homologação classificam a 1390 Super Duke RR como modelo 2026, o que abre a possibilidade de apresentação oficial nos próximos meses.
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