O herbicida glifosato manteve a ponta, com mais de 231,8 mil toneladas comercializadas no país, embora tenha havido redução em relação a 2023. Na sequência aparecem os ingredientes ativos mancozebe, 2,4-D, acefato e clorotalonil. Os dados consideram apenas os produtos formulados.
Entre as mudanças mais relevantes nesse panorama, o Ibama destacou o aumento na comercialização do glufosinato – sal de amônio, que passou da oitava para a sexta posição no ranking, e a entrada do herbicida cletodim no décimo lugar, substituindo o dibrometo de diquate.
Principal produtora de grãos do país, a região Centro-Oeste registra o maior volume de agrotóxicos comercializados em 2024. Foram 329,1 mil toneladas desses produtos vendidas a agricultores dos três Estados e do Distrito Federal. O líder no consumo foi Mato Grosso, com mais de 205 mil toneladas.
O Ibama destacou ainda o “crescimento expressivo na produção e na comercialização de bioinsumos, puxado pelo aumento nas vendas de produtos formulados a partir de agentes microbiológicos de controle”, que alcançaram 89,3 mil toneladas vendidas no país em 2024.
Ao todo, são mais de 7,4 mil produtos químicos e biológicos autorizados no país desde 2000. Os registros ativos disponíveis aos produtores são 874, que incluem 722 agroquímicos e 152 biológicos, segundo a Croplife Brasil.
O Ministério da Agricultura afirmou, em nota, que o número de registros concedidos não está diretamente relacionado ao volume de defensivos aplicados na agricultura. Dados do Ibama mostram que 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não chegaram a ser comercializados no país em 2024.
A área tratada com defensivos agrícolas no Brasil tem crescido nos últimos anos. Estimativas mais recentes apontam para mais de 2,6 bilhões de hectares em 2025, incremento de 3,4% sobre o ano anterior. A pesquisa, realizada pela Kynetec Brasil a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg), considera o número de aplicações e de produtos utilizados em cada tanque.
Em dezembro de 2025, entidades solicitaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reavaliação de três princípios ativos de agrotóxicos, entre eles o glifosato, o mais utilizado no país. Houve pedidos também para reanálise e suspensão temporária da atrazina e do alacloro.
O pedido foi feito pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). A solicitação é de nova reavaliação “com a garantia da participação e controle social e da participação de instituições técnico-científicas de referência na saúde e da pesquisa em câncer”, diz ofício encaminhado à Anvisa.
“Dois dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil são considerados provavelmente cancerígenos. O glifosato teve um estudo publicado por uma revista e que embasava o registro dele no Brasil, com um fato científico importante, mostrando que o registro era baseado em dados falsos, forjados pela empresa. A mesma coisa ocorreu com atrazina”, disse Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos.
“Isso revela que o uso de agrotóxicos está muito longe de ser algo extremamente necessário para a agricultura e está fazendo o benefício de poucas empresas, todas situadas na Europa, Estados Unidos e China. Deveríamos ter como projeto de país, de produção de alimentos saudáveis, uma agricultura baseada na agroecologia. O que precisamos é de vontade política para fazer essa transformação”, concluiu.