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Com endividamento crescente no campo, desembolso de crédito rural cai 13%

O programa de renegociações de dívidas rurais aberto em outubro de 2025 e encerrado nesta semana não usou os R$ 12 bilhões disponibilizados pela União. Até a sexta-feira (6/2), eram cerca de R$ 7,5 bilhões na linha pública operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros R$ 36 bilhões foram renegociados com recursos próprios dos bancos.

Na visão de Gustavo Freitas, diretor-executivo de Crédito e Negócios do Sicredi, a perspectiva mais clara de cortes na taxa Selic no início do ano e a expectativa de juros menores na próxima safra 2026/27, a partir de julho, levam produtores a adiar investimentos. “Em todas as vezes que vivemos isso, houve uma postergação das decisões de investir. Na nossa visão, o ritmo dos investimentos vai cair, ainda que mantendo um avanço em relação à safra anterior”, afirmou ao Valor.

Apenas as cooperativas de crédito apresentaram desempenho melhor nesta safra, com crescimento nos recursos concedidos. Foram R$ 51,3 bilhões contra R$ 46,4 bilhões entre julho de 2024 e janeiro de 2025. No Sicredi, por exemplo, houve crescimento de 4% nas operações de custeio expansões acima de 40% nos financiamentos de comercialização e investimentos para pequenos e médios produtores.

Bancos públicos tiveram a maior retração, de R$ 134,4 bilhões para R$ 101 bilhões. Os bancos privados mantiveram o desempenho, com pouco mais de R$ 44 bilhões nos sete meses.

Segundo Freitas, a expansão das cooperativas não é algo novo, já que em momentos de restrição de crédito essas instituições exercem um papel anticíclico. “Todas as instituições estão com dificuldade de manter o ritmo, por inúmeras razões, mas as cooperativas têm feito o esforço de manter seus associados atendidos, assim como de atender a vazios deixados por aquelas instituições que decidiram reduzir o atendimento ao produtor”, apontou.

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