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Calor e falta de chuva pressionam soja e milho na Argentina

Estimativa para a soja na região central da Argentina é reduzida em 600 mil toneladas, segundo a Bolsa de Comércio de Rosario 

Bolsa de Cereales aponta avanço da seca no centro e sul da Argentina.Foto: Adobe Stock

As condições climáticas na Argentina acenderam um novo alerta sobre a produção agrícola do país. Segundo a consultoria Markestrat, com base no relatório PAS-ECC da Bolsa de Cereales de Buenos Aires, houve avanço da seca e deterioração da condição hídrica no centro e no sul da área agrícola do país.

De acordo com o relatório, a queda dos índices de umidade do solo está concentrada especialmente no sul de Santa Fé, no centro-leste de Entre Ríos, no sul de Buenos Aires e em La Pampa.

Conforme adiantado pela consultoria Markestrat ao Agro Estadão, o calor intenso nessas regiões pode reduzir a safra argentina de milho em até 10 milhões de toneladas. “O milho tardio (segunda safra), que atravessa o enchimento de grãos com falta de água, teve classificação de regular a más condições, aumentando cerca de dois pontos percentuais”, reportou a consultoria.

Impacto na soja 

Também há piora nas condições das lavouras de soja, com áreas classificadas entre regular e más condições. “Muitas plantas enfrentam estresse hídrico justamente nas fases reprodutivas, período mais sensível para a definição do potencial produtivo”, disse a consultoria.

A Bolsa de Comércio de Rosario (BCR) aponta que a estimativa da colheita de soja para a região central do país foi reduzida em 600 mil toneladas, passando para 17,2 milhões de toneladas, volume 5% inferior ao potencial calculado no fim de dezembro. No sul da província de Santa Fé, os danos são estimados entre 30% e 40% na soja.

Produção e rendimento da soja na região de Rosário. Fonte: BCR

Há recuperação com a volta das chuvas?

As chuvas que retornaram à região em fevereiro estão ajudando a frear a deterioração em parte da área agrícola. A BCR lembra que, no mesmo período do ano passado, as estimativas também haviam sido revisadas para baixo. Entretanto, com o retorno das chuvas entre fevereiro e início de março, a produtividade média se recuperou, encerrando a safra próxima da meta inicial.

Ainda assim, a recuperação dependerá da consolidação das chuvas nas próximas semanas, sobretudo nas áreas que ainda não sofreram perdas irreversíveis.

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