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Editorial: Preservar a história é visão estratégica

Entre o mar e os prédios, a modernidade e a tradição, Florianópolis construiu uma identidade única no país. Mas essa identidade não se sustenta apenas nas paisagens naturais que encantam moradores e turistas.

Ela pulsa nas ruas de pedra, nas fachadas históricas, nos casarios coloniais e nas manifestações culturais que atravessam gerações. Proteger esse patrimônio é mais do que preservar prédios antigos: é garantir memória, pertencimento e futuro.

O Centro Histórico da Capital, com símbolos como o Mercado Público de Florianópolis, representa um elo vivo entre passado e presente. Ali circulam histórias, sotaques, sabores e tradições que ajudam a definir quem somos.

No entanto, a pressão imobiliária, a descaracterização arquitetônica e a falta de manutenção adequada colocam em risco esse legado. Cada fachada alterada sem critério, cada imóvel abandonado, é um pedaço da história que se apaga silenciosamente.

A herança açoriana, presente nas festas do Divino, no boi de mamão, na renda de bilro e na culinária típica, também exige atenção constante. Cultura não se preserva apenas com discursos ou datas comemorativas.

É preciso investimento, políticas públicas consistentes, incentivos a mestres da cultura popular e educação patrimonial nas escolas. Quando uma tradição deixa de ser praticada, perde-se parte da identidade coletiva.

Valorizar as áreas históricas é, inclusive, uma estratégia inteligente de desenvolvimento. Cidades que cuidam de seu patrimônio fortalecem o turismo cultural, estimulam a economia criativa e promovem revitalizações urbanas sustentáveis. Preservar não significa congelar o tempo, mas integrar passado e presente de forma harmoniosa, respeitando características originais enquanto se adaptam espaços às necessidades contemporâneas.

Florianópolis cresce, se moderniza e se projeta como polo de tecnologia e inovação. Esse avanço é positivo e necessário. Mas esse progresso não pode ocorrer às custas da própria essência. Ignorar suas raízes a tornaria genérica, igual a tantas outras. A singularidade é seu maior patrimônio.

Proteger o Centro, valorizar as tradições e investir em cultura não é nostalgia. É visão estratégica. É reconhecer que desenvolvimento verdadeiro só acontece quando memória e futuro caminham lado a lado. Preservar é um ato de responsabilidade com as próximas gerações e um compromisso com aquilo que faz de Florianópolis, de fato, a Ilha da Magia.

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