Mineração 4.0: a revolução industrial do setor
Drones, satélites, 5G, gestão de dados e veículos autônomos já estão na operação da Vale, Rio Tinto e BHP; para especialistas é a revolução industrial do setor. Crédito: Estadão
A Lynas Rare Earths, da Austrália, anunciou a aquisição da Meteoric Resources, incluindo o projeto Caldeira em Minas Gerais, por meio de um acordo aprovado pela Justiça. A transação, avaliada em 968 milhões de dólares australianos, envolve troca de ações. O projeto Caldeira possui a maior reserva de argila iônica fora da China. A Lynas fornecerá financiamento interino de até 110 milhões de dólares australianos para o desenvolvimento do projeto. A administração da Meteoric apoia a transação, sujeita a condições específicas.
A australiana Lynas Rare Earths informou que assinou um acordo vinculante para adquirir 100% da Meteoric Resources por meio de um “scheme of arrangement” (mecanismo jurídico previsto na lei societária australiana) aprovado pela Justiça, operação que reúne o projeto Caldeira, em Minas Gerais, aos ativos atuais da Lynas na Austrália e na Malásia. A Caldeira é descrita no comunicado como a maior reserva conhecida de argila iônica com recursos de óxidos de terras raras fora da China, reportada sob o padrão JORC (código internacional padrão para divulgação de recursos e reservas minerais).
A proposta prevê troca de ações: os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 ação da Lynas por cada ação da Meteoric. A relação de troca implica valor de 968 milhões de dólares australianos (US$ 672,76 milhões ou R$ 3,48 bilhões, segundo a cotação mais recente disponibilizada pelo Banco Central) para a Meteoric, considerando base totalmente diluída e o VWAP de 60 dias da Lynas, segundo fato relevante divulgado na Austrália.

Área de reservas de minério de terras do projeto Caldeira, da Meteoric Resources, na região de Poços de Caldas (MG) Foto: Meteoric/Divulgação
Segundo a empresa, o projeto Caldeira tem estudo de viabilidade definitivo (DFS) concluído e potencial de produção média anual estimada de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb (tipos de elementos encontrados em terras raras) ao longo da vida útil da mina, com base no DFS da Meteoric.
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Como parte do acordo, a Lynas prevê uma linha de financiamento interina de até 110 milhões de dólares australianos (US$ 76,45 milhões ou R$ 396 bilhões) para a Meteoric, para seguir com o desenvolvimento do projeto, custos de transação e capital de giro durante o processo. Um primeiro desembolso de 35 milhões de dólares australianos (US$ 24,325 milhões ou R$ 125,98 bilhões) seria disponibilizado após a assinatura do acordo, e o restante dependerá de condições, segundo o comunicado.
A companhia destacou ainda que, ao fim da transação, pretende trabalhar com a equipe atual da Meteoric e que avalia oportunidades de processamento downstream no Brasil.
O presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, afirmou que “expandir as operações para um novo país ajudará a Lynas a manter sua posição de liderança na cadeia global de suprimento de terras raras”. Já o presidente do conselho da Meteoric, Andrew Tunks, disse que a transação “valida a qualidade do projeto” e que a Lynas traria “expertise técnica, credibilidade global e força de balanço para acelerar” a Caldeira.
A administração da Meteoric recomendou por unanimidade a aprovação, condicionada à ausência de proposta superior e a parecer favorável de especialista independente. O maior acionista da Meteoric, Tolga Kumova, com cerca de 6,7% das ações, indicou intenção de votar a favor sob as mesmas condições, mas ressalvou que pode negociar papéis antes da assembleia.