
Repasses de empresários somam quase R$ 10 milhões Foto: Antonio Augusto/TSE – 17/08/2021
Empresários do setor do mercado imobiliário aparecem entre os maiores doadores na corrida eleitoral de 2026, com quase R$ 10 milhões em PIX, TED e cheques distribuídos para candidatos e partidos políticos. PP, PSD, MDB e PL estão entre os mais atendidos com recursos. Na lista levantada pela Coluna junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há nomes ligados a grupos de shopping centers, incorporadoras e construtoras.
O maior doador individual é o empresário sergipano João Carlos Paes Mendonça, 88 anos, fundador do Grupo JCPM, dono de mais de uma dezena de shoppings no Nordeste e do Jornal do Commercio, de Recife. Sozinho, ele fez R$ 1,3 milhão em contribuições, das quais R$ 1 milhão foi para Direção Nacional do PSD e R$ 300 mil para o ex-ministro Mendonça Filho, do PL, que concorre a vaga para o Senado por Pernambuco.
Considerando doações em grupo, ninguém do setor imobiliário supera a família Almeida, dona da Construtora Pacaembu, com R$ 2,6 milhões em repasses totais. O dinheiro partiu dos acionistas fundadores Eduardo Robson Raineri de Almeida e Wilson de Almeida Junior, e da segunda geração do negócio, Victor Bassan de Almeida. Todos compõem o conselho de administração. A companhia é especializada no programa Minha Casa, Minha Vida no interior dos Estados de São Paulo, Minas e Paraná.
O dinheiro dos empresários da Pacaembu foi para diversas partes, entre elas o diretório municipal do PSD de Araçatuba, SP (R$ 300 mil) – cidade onde a empresa já fez 1,7 mil casas e tem outras 770 em obras. Também foram beneficiados: a direção nacional do PP (R$ 200 mil), a direção nacional do MDB (R$ 200 mil), o candidato a deputado estadual Rafael Silva Jr, do PSD-SP (R$ 315 mil), o candidato a deputado estadual Alex Canziani, do Avante-PR (R$ 300 mil), entre outros nomes.
Família Jereissati distribuiu R$ 1,3 milhão
Entre os grandes doadores também está a família Jereissati, tradicional na política e nos shoppings. A família distribuiu R$ 1,3 milhão ao todo. Os maiores beneficiários foram a direção nacional do PP (R$ 500 mil), Mendonça Filho, do PL (R$ 200 mil); o delegado Olim, do PP-SP (R$ 200 mil), candidato a deputado estadual; o ex-secretário de segurança pública Guilherme Derrite, do Progressistas-SP (R$ 100 mil), candidato ao Senado; e o diretório municipal do PSB em Campinas (R$ 100 mil) – mesma cidade onde a companhia está erguendo um bairro com dezenas de prédios ao redor do seu shopping.
No mesmo setor, quem se destacou foi José Isaac Peres. O empresário controla a Multiplan, dona do Morumbi, em São Paulo, e do Barra, no Rio, numa rede com 20 shoppings. Peres repassou um total de R$ 520 mil para os diretórios do PL, MDB, PSD e Republicanos.
Elie Horn, fundador da Cyrela, não escondeu as preferências. Ele doou R$ 325 mil para a tentativa de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
Rubens Menin, da MRV, Banco Inter, Log e CNN, foi mais discreto nessa corrida eleitoral, com um total de R$ 100 mil para dois candidatos que concorrem à Assembleia Legislativa de Minas Gerais: Mario Henrique Caixa, do PV; e Eduardo Costa, do União.
Na Direcional, a família Valadares Gontijo destinou um total de R$ 465 mil para os diretórios de MDB, PSD e PSDB. A construtora atua no Minha Casa, Minha Vida em várias regiões metropolitanas.
Sindicalista conta com apoio patronal
Quem recebeu doações do empresariado foi o sindicalista Antonio de Sousa Ramalho, do PSB-SP, que por muitos anos liderou o sindicato dos trabalhadores da construção em São Paulo. Eleito duas vezes deputado estadual, ele tenta um terceiro mandato e para isso conta com apoio da classe patronal.
Seu maior financiador individual foi Elie Horn, da Cyrela, que doou R$ 80 mil. Depois dele vêm José Ricardo Rezek, da RZK (R$ 50 mil); Guilherme Sallum Nahas, da Diálogo (R$ 50 mil), e a família Zarzur, dona da Eztec (R$ 50 mil).
Todas as doações citadas nesta reportagem partiram de pessoas físicas, não das empresas. A doação de empresas foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 29/09/2026, às 12:37
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