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Lula e Flávio defendem ajuste fiscal, mas divergem sobre medidas para equilibrar contas; veja vídeo

BRASÍLIA e SÃO PAULO – As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), os candidatos que lideram a disputa à Presidência, reconhecem a necessidade de fazer um ajuste fiscal no País, mas divergem sobre o esforço que estancaria o elevado endividamento público brasileiro.

A situação fiscal do País é preocupante porque não há, por ora, uma expectativa de que a dívida pare de crescer, o que amplia a percepção de risco dos investidores com as contas públicas do Brasil. Em agosto, no último dado divulgado, a dívida bruta como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 82,9% — o maior patamar desde março de 2021.

Do lado da campanha do petista, os coordenadores econômicos falam em aperfeiçoar os benefícios fiscais e reavaliar o reajuste do arcabouço. A promessa é entregar um resultado primário positivo de 0,5% do PIB no ano que vem.

Já os formuladores do programa de governo de Flávio defendem um ajuste de 1,5 ponto porcentual do PIB e uma proposta de trava para a relação entre dívida e PIB.

As equipes econômicas dos presidenciáveis reconhecem necessidade de ajuste fiscal, mas propostas para enfrentar o problema divergem  Foto: Wilton Junior, Pedro Kirilos, Wilton Junior, Taba Benedicto, Isabella Finholdt, Daniel Teixeira/Estadão

Confira as entrevistas com os coordenadores econômicos das campanhas dos principais presidenciáveis:

Equipe de Lula (PT)

“Existem privilégios na Previdência que me incomodam muito”, diz Dario Durigan

Porta-voz da campanha de Lula na área econômica afirma que é preciso reconhecer déficit previdenciário importante e algumas distorções que acontecem.

Responsável pela parte econômica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que a Previdência Social precisa diminuir privilégios e combater a “pejotização abusiva”, principalmente em um momento em que o País passa por uma transição demográfica. Ele também diz haver privilégios na Previdência que o incomodam, citando militares e alguns aspectos do servidor público. No eventual novo mandato de Lula, Durigan ressalta que o arcabouço fiscal será aperfeiçoado e prometeu uma meta de resultado fiscal de 0,5% positivo do PIB. Leia a entrevista completa aqui.

Equipe de Flávio Bolsonaro (PL)

Sem discutir privilégios, não dá para falar em mudar a regra do salário mínimo, diz Daniella Marques

Porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro diz que, caso o ajuste pretendido seja efetivo, pode não ser necessário debater mudança na política do piso. Crédito: Daniella Marques

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, defendeu uma trava na relação entre dívida e PIB. Ela promete uma redução na quantidade de ministérios e privilégios, antes de eventualmente debater a política de ganho real do salário mínimo. No caso de vitória de Flávio, Daniella ainda diz que será necessário fazer “a reforma da reforma” tributária. Ela também defende que a discussão da mudança da jornada de trabalho fique para o próximo governo. Leia a entrevista completa aqui.

Equipe de Ronaldo Caiado (PSD)

O coordenador econômico do presidenciável, o advogado Roberto Brant, avalia que o ponto de partida de uma gestão do ex-governador de Goiás seria um ajuste fiscal para limitar o aumento das despesas primárias, mas defende também enfrentar “excrecência” como emendas parlamentares e o supersalário do Judiciário. Ele também argumenta que nenhuma mudança na aposentadoria resolve a questão fiscal do País. Leia a entrevista completa aqui.

Equipe de Renan Santos (Missão)

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) avalia que uma das primeiras medidas em um eventual governo Renan Santos seria aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de ajuste fiscal logo após as eleições para conseguir governar. A PEC propõe economia com desvinculação e desindexação de despesas, que seria utilizada para fazer superávit. E corte dos supersalários, revisão de gastos tributários e a reforma dos militares, que seriam usados para investir principalmente em infraestrutura. Leia a entrevista completa aqui.

Equipe de Augusto Cury (Avante)

Assessor econômico de Cury diz que reajuste do Bolsa Família é crime eleitoral

Luiz Carlos Hauly diz que decisão de Lula é politiqueira e busca iludir população. Crédito: Edição: Júlia Pereira

Assessor econômico do candidato do Avante à Presidência, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) ainda não tem estimativa de quanto seria possível economizar com ajustes em um eventual governo do escritor. Ele também defendeu um aperfeiçoamento da parte fiscal do Estado brasileiro e a participação de Estados e municípios em uma “única estrutura de diminuição do gasto público”. Leia a entrevista completa aqui.

Romeu Zema (Novo)

Carlos da Costa, coordenador do plano econômico do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, afirma que, num eventual mandato presidencial do mineiro, seria realizada a última reforma da Previdência no atual regime de repartição, para que o País adote a capitalização numa gestão Zema 2. Ele também prevê a criação de um Conselho da Previdência Social com representantes de trabalhadores, empregadores e governo para decidir eventuais mudanças nas regras da Previdência. Leia a entrevista completa aqui.

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