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Último trimestre vem com mais incertezas, enquanto o País torra receita extra do petróleo

Esta virada de trimestre produz bem mais do que mero efeito calendário.

A Guerra do Irã, que devia durar duas ou três semanas, acaba de entrar no seu nono mês. Pior, vai se esticando sem indício de quando acabará. As ameaças do presidente Trump já não intimidam, porque vão se repetindo, sem desfecho.

Ninguém sabe quando o Estreito de Ormuz será liberado. As cotações do petróleo seguem acima dos US$ 100 por barril, contaminadas pela forte volatilidade produzida pelos fatos e pelos boatos de cada dia.

O combustível mais escasso no mercado global é o diesel, especialmente depois do bombardeio das refinarias da Rússia pela Ucrânia, conflito que tem mais de quatro anos sem dar sinais de quando terminará.

Enquanto a receita do petróleo cresce, o crescimento do consumo, da poupança e da própria atividade econômica esbarra no endividamento da população Foto: Adobe Stock

O presidente Trump ameaça suspender as exportações de diesel para aumentar a oferta interna e conter a inflação, a poucas semanas das eleições. Ao mesmo tempo, pressiona a União Europeia para que despeje suas reservas no mercado.

A disparada dos preços do petróleo produz outro efeito: o de viabilizar a exploração de óleo de xisto nos Estados Unidos, que opera a custos mais altos.

Apesar das consequências colaterais nocivas, a alta do petróleo vem beneficiando o Brasil. Em agosto, a produção de petróleo e de gás natural equivalente ultrapassou a marca dos 6 milhões de barris (159 litros) diários, o que empurrou o Brasil para a posição de 7º maior produtor de petróleo mundial; em 2025, o País ficou em 9º.

É lamentável que a receita extra com exportações esteja sendo torrada no consumo, bem ao contrário da política da Noruega, que utiliza a maior parte do seu faturamento com vendas de óleo para a capitalização de seus fundos de previdência social e, assim, garantir a aposentadoria futura de sua população.

O comportamento da economia brasileira no último trimestre do ano vai sendo solapado por uma maré de incertezas. Os conflitos já mencionados tendem a frear o crescimento da economia global e, com isso, o mercado externo do Brasil.

A dívida pública do País ultrapassou em agosto os R$ 11,1 trilhões, já arranhando os 83% do PIB. O mais grave nem é o tamanho da dívida. É a rapidez de seu avanço, maior do que o do PIB.

O enorme endividamento da população, cuja parcela financeira já compromete 29% da renda, é forte obstáculo ao crescimento do consumo e da poupança e, em consequência, da própria atividade econômica.

Não se conhece ainda o impacto do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos.

Qualquer que seja o presidente eleito, uma conta enorme da irresponsabilidade fiscal acabará sendo distribuída à população, sabe-se lá com que custo político.

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