Quando os engenheiros da GreyLogix começaram a projetar a GreyBeer, em 2024, a cervejaria ainda não existia – ao menos não no mundo físico. Mas já funcionava. Em ambiente digital, o processo produtivo completo havia sido simulado, testado e otimizado antes que uma única peça fosse instalada. Era o gêmeo digital em operação: uma réplica virtual da planta que antecipou cenários, mapeou gargalos e calibrou o uso de recursos com precisão milimétrica.
O resultado dessa etapa foi uma microcervejaria que nasceu com 25% de economia energética embutida – não como promessa de campanha, mas como consequência de engenharia. Esse é o modelo que a Siemens, parceira tecnológica do projeto, chama de Indústria 4.0 aplicada: digitalização que precede a operação, não que a persegue depois.
Localizada em Rio Negro, no Paraná – uma das regiões com menor incidência solar do Brasil –, a GreyBeer desafia o senso comum ao operar com energia fotovoltaica integrada. A Siemens estruturou a infraestrutura elétrica e a integração energética da planta, garantindo estabilidade e monitoramento contínuo mesmo em condições climáticas desfavoráveis. A fábrica também incorpora recuperação de calor, reaproveitamento de água e instalações em contêineres remanufaturados. Não como atributos de marketing – como decisões de projeto.
O núcleo tecnológico da operação reúne plataformas Siemens consolidadas no setor. O TIA Portal e o SIMATIC S7-1500 controlam o processo ponta a ponta; os inversores SINAMICS otimizam o consumo energético de bombas e agitadores. O sistema Braumat – desenvolvido especificamente para cervejarias – automatiza receitas, padroniza lotes e assegura repetibilidade, eliminando uma das variáveis mais críticas da produção em escala. Cada lote possui ainda um QR Code que permite aos consumidores rastrear todo o processo de produção, garantindo transparência da origem à mesa.
Há também um diferencial menos visível, porém não menos importante. Com as soluções digitais da Siemens, é possível rastrear o carbono em tempo real, monitorar emissões ao longo de toda a cadeia produtiva e realizar ajustes contínuos – com a capacidade de corrigir o impacto ambiental durante a operação, não apenas reportá-lo ao final do ciclo. Um gêmeo digital baseado em inteligência artificial opera em paralelo à planta real, comparando o ponto ideal de produção com o comportamento efetivo e sugerindo correções instantâneas.
Para Diego Cadete, head de alimentos e bebidas da Siemens, a GreyBeer mostra que a transformação digital no consumo não precisa estar restrita às grandes corporações. O desafio do setor é claro: como produzir com mais eficiência, reduzir desperdícios, garantir rastreabilidade e avançar em sustentabilidade sem perder competitividade?
“Negócios e projetos como esse ganham força quando os sistemas digitais, eletrificação e a gestão de dados são pensados desde a sua concepção – e não tratados como camadas adicionadas depois. Isso permite controle e transparência sobre o negócio e o processo, bem como previsibilidade e melhor capacidade de tomada de decisão. Nesse contexto, a rastreabilidade deixa de ser apenas uma exigência regulatória e passa a ser um ativo de confiança operacional, reputacional e comercial.”
O modelo é replicável. A arquitetura que conecta utilidades críticas – caldeira, estação de tratamento de efluentes, automação – em uma única camada de controle pode ser adaptada a diferentes cadeias, de alimentos a bebidas. A GreyBeer não demonstra uma solução exclusiva para cervejarias, mas um princípio: quando automação, digitalização e eficiência são incorporadas desde a concepção, a planta nasce mais competitiva, rastreável e preparada para um mercado que não separa mais desempenho econômico de responsabilidade ambiental.
Pequena em escala, a GreyBeer opera com a ambição de provar que o futuro industrial não é privilégio de quem tem grande porte – é questão de escolha tecnológica desde o primeiro dia. No centro dessa escolha está a Siemens. Com um ecossistema que vai do controle de processo ao monitoramento de carbono, passando por simulação digital e automação de receitas, a empresa entrega ao setor o que antes parecia restrito às grandes indústrias: previsibilidade, eficiência e rastreabilidade desde o dia zero. A GreyBeer prova que isso já é possível – e que a escala do projeto não define o alcance da tecnologia.
-
1 / 1
Foto: DivulgaçãoCoração da brasagem – panelas de processamento com controle preciso de temperatura e mistura
*BrandVoice é de responsabilidade exclusiva dos autores.