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A guerra no Irã fracassou; qual será o próximo passo de Trump?

A guerra do Irã, que deveria durar apenas algumas semanas, entrou pelo seu sexto mês e já queimou US$ 37,5 bilhões.

Um a um, os objetivos declarados pelo presidente Trump como justificativa para as hostilidades foram frustrados. Não foi arrancada a rendição incondicional do Irã; seu programa nuclear não foi abandonado; o regime teocrático dos aiatolás não foi deposto; nem o Irã renunciou a seus ataques terceirizados pelo Hamas, pelo Hezbollah e pelos Houthis.

As negociações agora limitam-se à reabertura do Estreito de Ormuz, canal de escoamento de 20% do petróleo e de grande volume de fertilizantes, que não estava fechado nem corria risco de fechamento antes de 28 de fevereiro, início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Ainda assim, as negociações em curso restringem-se aos governos do Irã e de Omã, os dois Estados que ocupam as margens opostas do Estreito.

Como os estragos produzidos pelos bombardeios de ambos os lados exigem reparos que levam tempo; e como as incertezas da região continuam altas, os preços do petróleo seguem em níveis acima dos vigentes antes do início das hostilidades.

Os fluxos de produção e distribuição no resto do mundo continuam comprometidos, o custo em perda de PIB ainda está para ser medido e a inflação que daí decorre não para de subir.

Como na prática fica reconhecida a soberania (e o controle) dos dois países sobre os canais de navegação, conclui-se que, do ponto de vista dos interesses militares dos Estados Unidos e de Israel, a guerra caminha para o fracasso.

O desgaste com a alta dos preços do petróleo pode custar a Trump uma derrota nas urnas Foto: Alex Brandon/AP Photo

Apesar das reiteradas ameaças proferidas pelo presidente Trump, a nova e mais feroz onda de ataques ao Irã parece improvável. Se, depois de tudo, os Estados Unidos não conseguiram dobrar o Irã e, ao contrário, parecem tê-lo fortalecido, fica bem mais difícil a adoção de uma política de terra arrasada na região.

Esse resultado não é bom para as pretensões do presidente Trump nas eleições intermediárias de novembro. Se não por outras razões, a população dos Estados Unidos dá sinais de desgaste e de cansaço produzidos pela alta dos preços dos combustíveis. Pode punir o presidente Trump com uma derrota nas urnas.

Uma matéria do Wall Street Journal relata que Trump tem, reiteradas vezes, consultado o presidente do Fed (banco central), Kevin Warsh, sobre o impacto da guerra e da proliferação do uso da inteligência artificial na economia dos Estados Unidos. E isso parece demonstrar as preocupações da hora.

As coisas podem não ficar por aí, porque o presidente Trump, discípulo do ex-estrategista de comunicações da Casa Branca, Steve Bannon, costuma abafar notícias ruins com novos fatos-bomba.

Falta saber qual será o próximo alvo de sua bazuca. Seriam os Houthis do Iêmen? Seria Cuba? Seria o Brasil? A conferir.

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