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“A IA Não É Mais um Tema Só do TI”, Diz Presidente da Lenovo Brasil

A Lenovo, uma das principais fornecedoras globais de infraestrutura de TI e serviços de tecnologia, tem ampliado seus investimentos na América Latina nos últimos anos, especificamente no Brasil, região na qual lidera o segmento de PCs. Para Ricardo Bloj, presidente da Lenovo no Brasil, a região se consolida como estratégica para a empresa não apenas pelo market share, mas também como um hub de oportunidades em tecnologia.

A Lenovo vem fortalecendo sua estratégia para além do segmento de PCs, apostando em infraestrutura, servidores, smartphones, tablets e serviços, segmentos que, globalmente, já representam mais de 40% da receita total da empresa.

Como apresentado no evento Tech World Brasil, no mês de março, as prioridades da empresa estão na integração de IA híbrida em empresas e soluções como o modelo TruScale Device as a Service e a assistente pessoal de IA Qira.

Alguns projetos alavancam a presença nacional da marca e reforçam o posicionamento da Lenovo em computação de alto desempenho no Brasil. Um exemplo é a parceria com a Petrobras, estatal com a qual a empresa já fechou dois grandes contratos que, somados, superam os R$ 600 milhões, para o fornecimento de computadores e equipamentos de alta capacidade. Um dos objetivos da parceria é expandir a realização de projetos de processamento sísmico com tecnologia, transformando dados em imagens detalhadas do subsolo.

A marca também vem investindo na linha Neptune de resfriamento líquido no país, por meio da qual a Lenovo consegue aumentar o desempenho de servidores para cargas de trabalho de IA e HPC, reduzindo o consumo energético.

Segundo Bloj, o objetivo é ampliar a competitividade do mercado local, trazendo cada vez mais investimentos internos para atender as demandas dos clientes.

Forbes Brasil – Como a atuação da Lenovo no Brasil tem sido benéfica para o desenvolvimento tecnológico no País?

Bloj – Gostamos muito de reforçar o trabalho de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que temos feito no Brasil, identificando necessidades locais e desenvolvendo soluções que não foram feitas em mais nenhum lugar do mundo. Um exemplo disso é o TRAdA, um sistema de monitoramento remoto de arritmia desenvolvido em parceria com o Instituto do Coração (InCOR). São coisas que temos muito orgulho porque foram desenvolvidas com tecnologia nacional e engenheiros brasileiros. O objetivo da visão AI for All é melhorar a vida das pessoas por meio da tecnologia, indo desde grandes empresas até pessoas carentes.

FB – Quais necessidades a Lenovo observa no mercado brasileiro no que diz respeito à IA, e como a empresa atende à elas?

Bloj – A IA não é mais uma questão só do departamento de TI, é uma transformação: ela começou a migrar para outras áreas das empresas, que passaram a buscar retorno sobre investimento. Percebemos também que existe uma preocupação muito grande com segurança, proteção de dados e invasão de sistemas. A nossa prioridade é a inovação do negócio, de forma a mantê-lo competitivo, alavancar receita e melhorar lucratividade. Nesse sentido, as empresas precisam primeiro de infraestrutura e tecnologia e segundo, de algum parceiro confiável para implementar as soluções. É nesse contexto que Lenovo vê uma oportunidade enorme na América Latina.

FB – Como a Lenovo garante que pequenas e médias empresas (PMEs) não fiquem para trás nessa corrida tecnológica?

Bloj – Nós oferecemos soluções escaláveis, que atendam desde algo simples até projetos complexos. Atualmente, temos uma parceria com a Nvidia para oferta de AI Cloud Gigafacyory, por meio da qual disponibilizamos infraestrutura para que pequenas empresas possam rodar altas cargas de trabalho e algoritmo sem precisar de uma infraestrutura interna. É o que chamamos de TruScale as a Service, que consiste em contratar uma AWS e pagar por horas de utilização. É uma biblioteca aberta com vários algoritmos prontos para que empresas não precisem desenvolver um grande LLM. Quanto mais nós conseguimos adicionar soluções para o cliente — de forma que ele sinta que realmente terceirizou toda uma operação — mais ele vai poder focar em sua estratégia de negócios.

FB – Dentro do portfólio Lenovo, quais categorias devem concentrar maior parte dos investimentos nos próximos anos?

Bloj – A projeção é que até 2027 cerca de 80% dos nossos equipamentos possuem um processador neural integrado. Nós também estamos incorporando IA nos equipamentos, como por exemplo com a Qira, que lançamos em janeiro e funciona como um agente de gerenciamento de dispositivos, diferente da proposta de um simples chat de GenAI. Cada vez mais queremos trazer soluções como essas, oferecendo aos clientes agentes que possam ser implementados dentro de suas organizações.

FB – Qual a meta de representatividade da receita de não-PCs para a operação da Lenovo nos próximos anos?

Bloj – Os PCs continuam sendo o maior motor da empresa, inclusive foi o que trouxe a Lenovo para o Brasil em 1984. Porém o faturamento com não-PCs foi recorde ano passado, com mais de 40% da receita. Dentro dessa fatia temos serviços que crescem dois dígitos ao ano. Vamos desde o serviço tradicional de garantia estendida, passando por Azure Service e advisor de consultoria de implementação de IA, até infraestrutura e servidores. Os próximos 10 anos serão de transformação, e queremos aproveitar essa oportunidade para oferecer cada vez mais software, serviços e soluções.

FB – Como a meta de computação de alto desempenho se alinha com a meta Net Zero da Lenovo?

Bloj – Com o Neptune, nós conseguimos reduzir em mais de 30% o consumo de energia para refrigeração. Mas além da energia, tem toda a parte da cadeia de materiais. Todas as nossas embalagens hoje são feitas de fibra natural de bambu, sem nenhum plástico. O material que envolve os cabos de celulares e notebooks são feitos de fibra natural também. Além disso, vários equipamentos são constituídos de componentes reciclados, como por exemplo o alumínio, que é feito de asa de avião. Nosso projeto é chegar no Net Zero em 2050.

FB – Qual o futuro que a Lenovo projeta para as empresas brasileiras?

Bloj – O Brasil tem uma posição muito privilegiada no que tange à cultura de inovação e apetite ao risco. Então existe essa vontade das empresas de implementar novidades de uma maneira estruturada e com governança, sempre acompanhando a vanguarda e nunca ficando para trás. Olhando para o futuro, as empresas vão precisar cada vez mais de um fornecedor confiável de tecnologia, que entenda os problemas e as necessidades delas e traga soluções concretas, de forma a acelerar essa implementação tecnológica.

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