No final do século XIX, Thomas Malthus, considerado o pai da demografia, lançou um alerta: o crescimento populacional seria incompatível com a produção de alimentos. Isso porque, enquanto os meios de subsistência cresciam em progressão aritmética, a população evoluía de forma geométrica. Desta maneira, com o passar do tempo, não seria possível alimentar a todos.
A previsão, felizmente, não se confirmou. A pesquisa científica e o ímpeto dos produtores rurais mostraram que o campo poderia dar conta do crescimento demográfico, com a produção de mais alimento por área. Ou seja, a tese malthusiana caiu por terra em função dos avanços da agropecuária.
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Agora, o mundo se vê diante de outros desafios, cuja solução também está endereçada à classe produtora. As mudanças climáticas têm impactado, cada vez mais, a vida na cidade e no campo, elevando os riscos de desastres naturais. Vamos falar sem rodeio: grande parte da solução virá da agropecuária.
Está na hora de ter essa conversa, sem filtro, a nível global, para o bem da sociedade. E o palco ideal para demonstrar, de forma consistente, que a agricultura é parte da solução para as mudanças climáticas é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro em Belém, no Pará. Isso passa por uma série de estratégias públicas e privadas, que precisam ser adotadas no curto prazo, tamanha é a urgência do desafio.
A boa notícia é que diversas destas ações já estão em curso no Paraná, muitas capitaneadas pelo Sistema FAEP, como, por exemplo, o uso de tecnologias para a transição energética. Essa questão vem sendo fomentada há anos no meio rural paranaense, a ponto de ter atingido um grau de maturidade significativo. A produção de biogás por meio do processo de biodigestão em propriedades rurais é uma realidade no Estado há pelo menos duas décadas. Lá atrás, a entidade representativa da agropecuária paranaense já tinha identificado a necessidade de transformar o passivo ambiental de atividades como avicultura e suinocultura em ativos energéticos. Em 2017, a entidade promoveu uma viagem técnica à Itália, Áustria e Alemanha justamente com o objetivo de conhecer a produção de energias renováveis naqueles países.
No que se refere ao uso de biocombustíveis, o Sistema FAEP lançou, em junho, o programa Movido pelo Agro, para incentivar o uso do etanol na frota estadual. E como o exemplo tem que começar dentro de casa, a frota da entidade é abastecida exclusivamente com o combustível verde. Também é no Paraná que a produção de biodiesel encontra a maior refinaria do país, localizada na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
O uso de energia solar nas propriedades rurais é outra prática fomentada há tempos no meio rural do Paraná. Novamente, o exemplo começa em casa. A entidade tem usinas fotovoltaicas nos seus dois Centros de Treinamento Agropecuário (CTAs), nos municípios de Ibiporã e Assis Chateaubriand. Hoje, 100% da energia usada nas estruturas do Sistema FAEP têm origem em fontes limpas.
No que tange o uso de sistemas sustentáveis de agricultura regenerativa, o Paraná já avançou bastante em ações como rotação de culturas, plantio direto e produção orgânica, cujos fundamentos são levados para milhares de produtores rurais, de forma gratuita, por meio dos cursos da entidade paranaense.
O solo e a água, maiores patrimônios dos produtores rurais e fundamentais para a humanidade, também são prioridades dentro da porteira. Isso porque o solo bem conservado proporciona melhora da qualidade da água e do meio ambiente, além de maior produtividade agrícola. Por isso, o Sistema FAEP avança em pesquisas para a manutenção do Paraná na vanguarda do uso sustentável do meio rural.
Diante de tantos exemplos, a expectativa é de que os dirigentes da COP30 se sensibilizem a ponto de dissolver uma barreira ideológica que opõe, de maneira irracional, a produção de alimentos e a conservação do meio ambiente. Essas duas atividades não só não são excludentes, como uma depende da outra para sobreviver.
Isso prova que, mais uma vez na história, a resposta para enfrentar os desafios globais virão do campo. Contem sempre com o agro.
Fernanda Toigo
Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.