O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, movimentou o mercado global da soja nesta semana. Com o anúncio da retomada das compras chinesas de grandes volumes da safra americana e redução nas tarifas de importação, os futuros da soja subiram forte na Bolsa de Chicago (CBOT).
No Brasil, porém, analistas apontam que o impacto desse acordo tende a ser limitado para o bolso do produtor nacional. Houve queda nos prêmios pagos nos portos para embarques em 2026, com valores em Paranaguá recuando de US$ 0,60/bushel em outubro para apenas US$ 0,25/bushel agora, reflexo da expectativa de maior oferta do grão norte-americano no mercado internacional.
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Mesmo se as compras anunciadas pelos Estados Unidos — 12 milhões de toneladas ainda em 2025 e até 25 milhões ao ano nos próximos três anos — forem confirmadas, o efeito sobre os preços e o mercado brasileiro deve ser pequeno. Na prática, os volumes prometidos se aproximam do que a China já comprava antes do início da guerra comercial com os EUA, representando pouca novidade em termos de fatia de mercado.
Além disso, a China mantém sua estratégia de diversificar fornecedores e investe de forma crescente na produção de soja brasileira, buscando fortalecer a própria segurança alimentar. Por isso, mesmo diante do acordo entre americanos e chineses, a base das exportações brasileiras deve permanecer alta: atualmente, cerca de 65% a 70% dos embarques de soja do Brasil seguem destinados à China.
A redução das tarifas, que passaram de 57% para 47%, também contribui para melhorar a competitividade do grão norte-americano, mas não altera de forma significativa o cenário das vendas brasileiras. Para o produtor nacional, o acordo pode significar menor prêmio nos portos e perda de parte das margens extras conquistadas em 2025, mas não compromete a dependência chinesa do Brasil para suprir sua demanda.
O mercado segue cauteloso, já que a China não confirmou oficialmente todos os volumes anunciados. O essencial, segundo os especialistas, é o produtor brasileiro manter atenção às negociações internacionais e às condições de comercialização local, sem perder de vista que o país se consolidou como fornecedor estratégico da soja mundial.
(Com Feagro)
Fernanda Toigo
Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.