Rica em amido e naturalmente sem glúten, a araruta atende à crescente demanda por alimentos funcionais, abrindo nichos de mercado promissores
Você já ouviu falar da araruta? Essa planta, quase esquecida nos dias de hoje, já foi tão importante no Brasil que chegou a superar o trigo em relevância em certos períodos.
A araruta é uma cultura tradicional brasileira que merece ser redescoberta, especialmente pelos agricultores que buscam diversificar suas atividades e atender à crescente demanda por alimentos saudáveis e funcionais.
O que é a araruta?
A araruta, cientificamente conhecida como Maranta arundinacea L., é uma planta herbácea nativa das Américas. Seu nome deriva do termo indígena “aru-aru”, que significa “farinha de farinha”, indicando sua importância na alimentação dos povos originários.
A parte mais valiosa da planta é que costumamos chamar de raiz, mas é chamado de rizoma, um caule subterrâneo do qual se extrai uma farinha rica em amido, conhecida por sua alta digestibilidade e versatilidade culinária.
A araruta na história do Brasil
Antes da chegada dos portugueses, a araruta já era amplamente cultivada e utilizada pelos povos indígenas, como os Caraíbas e Caiapós. Para essas comunidades, a planta representava uma base alimentar essencial e também uma reserva estratégica em tempos de escassez.
Durante o período colonial e imperial, a farinha de araruta ganhou destaque por suas propriedades nutricionais e facilidade de digestão. Era especialmente valorizada na alimentação de crianças, idosos e convalescentes.
No entanto, ao longo do tempo, seu cultivo entrou em declínio. A introdução de outras culturas e a mudança nos hábitos alimentares levaram a araruta a ser gradualmente esquecida por muitos brasileiros.
Por que a araruta é relevante hoje?

Atualmente, observamos um movimento de valorização de culturas tradicionais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). A araruta se encaixa perfeitamente nesse contexto, atendendo à crescente demanda por alimentos naturais, saudáveis e com atributos específicos, como a ausência de glúten.
Para os pequenos e médios produtores rurais, a araruta representa uma oportunidade de diversificação de renda e agregação de valor. O cultivo dessa planta permite explorar nichos de mercado promissores, como o de alimentos funcionais e orgânicos.
Além disso, sua produção se alinha com práticas de agricultura sustentável e preservação da biodiversidade agrícola brasileira.
Como beneficiar a araruta na propriedade rural
O processo de beneficiamento da araruta para obtenção da farinha ou polvilho é relativamente simples e pode ser realizado em pequena escala na própria propriedade. As etapas básicas incluem:
- Lavagem dos rizomas;
- Ralação;
- Decantação do amido em água;
- Secagem.
Esse processo artesanal agrega valor ao produto final e permite ao produtor controlar a qualidade em todas as etapas.
A farinha de araruta é extremamente versátil na culinária. Ela pode ser utilizada no preparo de mingaus, biscoitos, bolos e pães sem glúten.
Uma característica notável é sua capacidade de conferir leveza e crocância aos alimentos. Ademais, funciona como um excelente espessante natural para molhos e cremes.
Oportunidades de mercado para a produção de araruta

O mercado para produtos derivados da araruta está em expansão, impulsionado pela crescente demanda por alimentos sem glúten, orgânicos e artesanais. Os produtores rurais podem explorar diversos canais de comercialização, tais como feiras de produtores, venda direta ao consumidor e fornecimento para estabelecimentos especializados.
Cooperativas de agricultores familiares têm obtido sucesso na produção e comercialização de araruta. Por exemplo, em São João del-Rei, Minas Gerais, a Emater-MG e a Epamig têm incentivado o cultivo da planta, reconhecendo seu potencial econômico e cultural.
A indústria de alimentos também representa um mercado promissor. A fécula de araruta pode ser utilizada como ingrediente em diversos produtos industrializados, especialmente aqueles voltados para o público celíaco ou com restrições alimentares.
Para os produtores interessados em investir na araruta, é fundamental buscar orientação técnica e conhecer as particularidades do cultivo. Instituições como a Embrapa e as empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural oferecem informações valiosas sobre o manejo adequado da cultura.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão